Anthony Levandowski, ex-engenheiro de veículos autônomos do Google que passou a trabalhar para a Uber e desencadeou uma ação judicial, foi condenado a 18 meses de prisão por roubo comercial.

Levandowski foi co-fundador da unidade de veículos autônomos do Google, conhecida como Waymo, em 2009 e trabalhou lá até 2016. Naquele ano, decidiu sair e fundar sua própria empresa, a Otto, que por sua vez foi prontamente adquirida pela Uber.

Antes de deixar o Google, porém, Levandowski baixou gigabytes de dados proprietários. A Waymo processou a Uber por roubo comercial e violação de patente, alegando que a tecnologia LiDAR da Uber utilizava elementos projetados pela Waymo.

Isso desencadeou uma série complicada de batalhas legais que terminaram em um acordo em fevereiro de 2018.

Ninguém saiu ganhando. A empresa que controla o Google, a Alphabet, ficou com US$ 245 milhões em ações da Uber e abandonou todas as queixas de roubo comercial que restavam. Já a Uber e Levandowski mantiveram o tempo todo a versão de que os segredos comerciais da Waymo nunca foram enviados para os servidores da Uber ou usados no desenvolvimento de tecnologia.

Os carros autônomos da Uber ainda estão em desenvolvimento, embora a iniciativa esteja um pouco atrasada em relação a Waymo e a Lyft.

Os problemas de Levandowski, no entanto, não terminaram aí. Em agosto de 2019, o Departamento de Justiça dos EUA fez acusações para 33 processos de roubo de segredos comerciais e tentativa de roubo de segredos comerciais por ter saído do Google com 14.000 arquivos.

Essas acusações acarretaram uma pena de 10 anos de prisão e até US$ 8,25 milhões em multas, mais restituição. Levandowski fez um acordo em março de 2020 que viu todas as acusações, exceto uma, serem retiradas, além de ter concordado em desembolar mais de US$ 750 mil em restituição à Waymo.

Porém, no mesmo mês, Levandowski declarou falência após os tribunais manterem uma decisão de que ele devia ao Google mais US$ 179 milhões por quebra de contrato, inclusive por contratar engenheiros do Google.

De acordo com a Reuters, o juiz William Alsup disse durante a sentença de terça-feira que não mandar Levandowski para a prisão daria “luz verde a todo futuro engenheiro brilhante para roubar segredos comerciais”.

A pena de 18 meses é, no entanto, menor que os 27 meses sugeridos pelos promotores, e Levandowski só será obrigado a entrar sob custódia depois que a nova pandemia de coronavírus diminuir.

Segundo a Reuters, os advogados de Levandowski argumentaram que seu histórico de pneumonia significava que ele seria particularmente vulnerável ao vírus, que tem se espalhado nas prisões dos EUA. É provável que a pandemia não termine tão cedo, o que significa que a sentença poderá ser adiada por algum tempo.

De acordo com o TechCrunch, Levandowski entrou com uma ação judicial separada em julho alegando que os termos não revelados do acordo Waymo-Uber incluíam uma lista de restrição permanente de trabalho com a Uber, bem como que Uber “coagiu” ele a vender sua participação no Otto com um “desconto significativo”.

Levandowski está pedindo “pelo menos US$ 4,128 bilhões” em pagamentos da Uber Freight, a unidade de negócios de Uber criada a partir da Otto, o que é equivalente à avaliação da unidade inteira, segundo o TechCrunch.

Ele também está pedindo que a Uber pague os US$ 179 milhões que ele deve ao Google. O processo contra a Uber também alega que a empresa adquiriu ilicitamente o software da Waymo de “um outro ex-funcionário do Google”, supostamente libertando-o de alguns dos termos do processo.

“Os últimos três anos e meio me forçaram a aceitar o que fiz”, disse Levandowski ao Verge em uma declaração. “Quero aproveitar este tempo para pedir desculpas aos meus colegas do Google por trair sua confiança, e a toda minha família pelo preço que pagaram e continuarão a pagar por minhas ações.”