Depois de meses de antecipação, a ação FB começa hoje a ser negociada na NASDAQ. Cada ação foi oferecida inicialmente a US$38 cada, permitindo ao Facebook arrecadar US$16 bilhões – deixando Mark Zuckerberg e outros ainda mais ricos. Mas e você? Eis o que a maior estreia de uma empresa de tecnologia na bolsa de valores significa para os usuários.

Por que isto é importante?

Bem, este deve ser um evento importante, dado que centenas de pessoas se reuniram na Times Square, em Nova York, onde fica a NASDAQ. E não só investidores: pessoas comuns, que talvez nem tenham uma só ação, pararam para registrar em fotos e vídeo a primeira vez que viram o Facebook na bolsa de valores.

A oferta pública de ações (ou IPO) do Facebook é a maior já feita por uma empresa de tecnologia: o segundo maior IPO foi do Google, em 2004, que levantou apenas US$1,67 bilhão. Na verdade, o IPO do Facebook é o terceiro maior dos EUA, atrás apenas da Visa e da General Motors.

O Facebook também quebrou outro recorde: a ação negociada mais rápido. Durante os primeiros 30 segundos na bolsa, 2,7 milhões de ações trocaram de dono a cada segundo. Em menos de cinco minutos, 100 milhões de ações já haviam sido negociadas.

Como o Facebook conseguiu US$38 por ação no IPO, isto coloca o valor da empresa em US$104 bilhões. Isto é apenas metade do valor do Google, mas está à frente de grandes empresas de tecnologia, como a Amazon.

Além disso, o IPO tem diversas implicações para os usuários, como você vê mais abaixo.

Quem fica mais rico?

Não é só Mark Zuckerberg. Sim, a parte dele agora vale cerca de US$20,3 bilhões, mas ele não vai transformar todas as ações em dinheiro. Ao vender 30 milhões de ações, ele ganhou US$1,1 bilhão – mas é tudo para pagar impostos, diz a empresa. E Zuckerberg não quer perder controle da empresa: depois do IPO, ele será dono de aproximadamente 56% do Facebook.

Em segundo lugar no comando está Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook. Ela saiu do Google em 2008 e hoje detém 2 milhões de ações do Facebook, mais 39 milhões que vai receber daqui a alguns anos.

Outros nomes na lista dos maiores beneficiados pelo IPO incluem:

• Sean Parker, criador do Napster que ajudou a estruturar a empresa (é o personagem do Justin Timberlake no filme);

• os gêmeos Winklevoss, que acusaram Zuckerberg de roubar a ideia deles de uma rede social — eles receberam 6 milhões de ações em acordo extrajudicial em 2008;

• o grafiteiro David Choe, que decorou o escritório de Zuckerberg na primeira sede da empresa, em 2005: ele foi pago em ações do Facebook, que agora valeriam cerca de US$200 milhões segundo o New York Times;

• o cantor Bono, do U2, que investe no Facebook através da Elevation Partners;

• os fundadores do Instagram, que venderam a empresa em troca de dinheiro e ações;

• a Microsoft, que comprou 1,6% do Facebook há cinco anos;

• os funcionários do Facebook, que são pagos (em parte) em ações;

• e Eduardo Saverin, traído por Zuckerberg, que ainda hoje teria cerca de 5% da empresa.

É muita gente. Mas e você?

O que o IPO significa para os usuários?

O Facebook é avaliado em mais de US$100 bilhões. Todo esse valor vem dos usuários, e do que o Facebook fará daqui para a frente. E as estratégias para o futuro da rede social revelam como os usuários serão afetados pelo IPO.

Para recapitular: o Facebook tinha 901 milhões de usuários ativos até o final de março, dos quais 45 milhões (5%) são brasileiros — no último ano, o número de brasileiros saltou em 180%. A rede social deve atingir o bilhão de usuários em julho ou agosto. A empresa faturou US$1,06 bilhão no primeiro trimestre, enquanto o lucro foi de US$205 milhões.

Então por que o Facebook é avaliado em US$100 bilhões? Isso é cem vezes o que a empresa faturou em três meses — parece demais. Bem, este valor leva em conta, basicamente, dois fatores: as flutuações de mercado, e quanto dinheiro (fluxo de caixa livre) ela vai gerar no futuro. E o Facebook pode gerar uma grana enorme nos próximos anos.

Com 900 milhões de usuários, há muito mais público para a rede social atrair? Sim, dado que há mais de dois bilhões de usuários na internet ao redor do mundo. E o Facebook deve espremer mais valor dos usuários que já estão na rede. Como aponta o investidor David Pakman no The Verge, a rede social ainda tem muito o que fazer em questão de propagandas, inclusive no celular e até mesmo fora do Facebook. Além disso, o Facebook deve estimular os usuários a se engajar ainda mais na rede, já que o negócio deles é conhecer mais sobre seus usuários. Assim como o Google, é com propagandas que o site ganha dinheiro – cerca de 85%.

Isto também pode significar, enfim, uma experiência decente dos apps e webapps do Facebook no celular – que, até o momento, são ruins e lentos. O próprio Zuckerberg admitiu esta semana: agora, a prioridade da empresa são aplicativos para dispositivos móveis. Uma loja de apps mais social para Android e iOS; o Instagram, com certeza; e (assim esperamos) uma experiência melhor no celular e tablet.

Então eles precisam ganhar dinheiro para justificar os bilhões que a empresa vale. Quer dizer que o futuro do Facebook – mais propagandas, mais compartilhamentos – é ficar irritante? Depende, como aponta o Gizmodo US:

No longo prazo, o Facebook ser uma empresa pública tem repercussões enormes em potencial. Empresas privadas… podem focar em estratégia de longo prazo em vez de ganhos no curto prazo. Empresas públicas, no entanto, têm que ficar à frente dos acionistas uma vez por trimestre e explicar como e porque eles ganharam – ou perderam – tanto dinheiro deles. Esse tipo de pressão pode fazer uma empresa perder a visão do que a tornou tão bem-sucedida no início.

Por exemplo, o negócio do Google é vender propagandas. A empresa abriu seu capital em 2004 e resistiu à pressão de focar em resultados de curto prazo, entregando bons produtos – e resultados financeiros – sem estragar a experiência com propagandas. Talvez o Facebook consiga fazer o mesmo.

Mas a Rede Social esbarra em outro problema em potencial: a privacidade dos usuários. Eles não têm um histórico muito bom nessa área, e agora que as informações dos usuários são mais valiosas do que nunca, é um aspecto ao qual todos vão prestar ainda mais atenção daqui para a frente.