Você deixaria uma inteligência artificial resumir uma notícia para você? E se ela fosse programada pelo Facebook? A rede social está desenvolvendo uma ferramenta para pegar os pontos principais de artigos jornalísticos para os usuários não precisarem ler.

A novidade foi revelada em uma reunião interna de fim de ano para todos os funcionários. O BuzzFeed News teve acesso ao conteúdo da apresentação. A ferramenta se chamaria “TL;DR” — uma expressão que significa “muito longo; nem li” em inglês e é usada para reclamar que o texto de outra pessoa é desnecessariamente longo ou para resumir um comentário para quem não tevc paciência para ler.

O TL;DR do Facebook resumiria as notícias em listas de tópicos para poupar o tempo do usuário da rede e também poderia dar um resumo em áudio, respondendo, inclusive, perguntas do ouvinte, como se fosse um assistente digital.

Como bem observa o The Next Web, o recurso tem tudo para causar mais confusão entre a rede social e empresas de mídia. O Facebook já é bastante criticado por ter abocanhado grande parte dos anunciantes e do dinheiro que antigamente eram destinados a sites e portais. Um recurso desse tipo, que desencorajaria os acessos, provavelmente seria muito mal recebido.

Os problemas em potencial, porém, vão bem além do descontentamento do setor. Como a rede ainda não descobriu uma forma efetiva de resolver o problema de desinformação, dá para imaginar que essa ferramenta de resumo automático impulsionaria ainda mais a disseminação de mentiras.

Além disso, a inteligência artificial precisaria ser muito bem treinada e supervisionada para evitar que ela mesma cause mais desinformação. Exemplos não faltam: ferramentas da Microsoft aprenderam a escrever frases racistas e carregadas de intolerância religiosa, e a GPT-3, desenvolvida por uma organização sem fins lucrativos que conta com o apoio de Elon Musk, consegue escrever textos legíveis com informações inverídicas e citações falsas.

Uma inteligência artificial para resumir notícias teria que aprender a não tirar declarações do contexto e a entender o sentido geral do artigo para fazer um resumo que não diga o oposto dele. Também teria que saber se proteger de possíveis abusos — outras ferramentas do tipo, que tinham sido treinadas para detectar discurso de ódio, eram facilmente enganadas com o uso de palavras positivas.

Apesar de todos os problemas, pode ser que você queira uma inteligência artificial para conseguir ler mais coisas em menos tempo. Se você lê em inglês, pode ter um gostinho de como seria algo do tipo no subreddit /autoTLDR, que usa um robô para resumir textos em inglês.

[BuzzFeed News, The Next Web]