Em dezembro, legisladores alemães anunciaram planos de criar um projeto de lei que multaria o Facebook em € 500 mil por não remover notícias falsas dentro de um intervalo de 24h após sua publicação. No domingo, o Financial Times noticiou que a empresa começará a testar o seu sistema de filtragem de notícias falsas na (você acertou) Alemanha!

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O Facebook anunciou em dezembro que estava desenvolvendo uma maneira de os usuários reportarem notícias falsas no site, e agora parece que o país europeu será um dos primeiros lugares a testá-la. Em e-mail enviado ao Gizmodo, a empresa disse que começou a testar um filtro similar nos Estados Unidos há um mês.

A companhia não esclareceu se introduziu essas novas funções em respostas à potencial nova lei alemã, mas o momento em que elas aparecem definitivamente é interessante. Isso também demonstra o incrível poder que os governos têm de deter a disseminação de desinformação nas mídias sociais. Quando perguntamos sobre a lei alemã, um porta-voz do Facebook contou ao Gizmodo:

“Quando lançamos isso nos Estados Unidos, dissemos que iríamos expandir o (sistema) piloto para outros países ao longo do tempo. Ouvimos nossa comunidade e iniciamos conversas com outros parceiros globais, e a prontidão dos parceiros alemães nos permitiu começar os testes na Alemanha. Esperamos anunciar esses esforços em outros países em breve.”

O Financial Times apontou que as autoridades alemãs também estão preocupadas com a possibilidade das notícias falsas influenciarem as eleições de outubro no país, após testemunharem o desastre que aconteceu nos Estados Unidos no ano passado.

Nas próximas semanas, os fãs alemães do Facebook  terão a possibilidade de reportar como falsa qualquer história que vejam no feed de notícias. A rede social então enviará tal história para o Correctiv, uma organização sem fins lucrativos de checagem de fatos signatária do Poynter’s International Fact Checking Code of Principles. Se o Correctiv descobrir que a notícia, de fato, é falsa, a publicação será sinalizada e não será mais priorizada nos feeds dos usuários.

Um porta-voz do Facebook contou ao Gizmodo que, se o Correctiv identificar histórias como falsas, as pessoas receberão “um link para um artigo equivalente que explique o por quê” de o link não ser verdadeiro. “Uma vez sinalizada, a publicação não pode ser transformada em propaganda ou potencializada”, afirmou.

Em um post no blog escrito em alemão, o Facebook afirmou também que acredita que, ao acrescentar contexto às histórias consideradas falsas, as pessoas podem decidir por si próprias no que acreditar e qual informação compartilhar. É importante notar que os usuários ainda poderão compartilhar essas histórias, mas elas serão acompanhadas por um aviso. Considerando que “notícias falsas” é basicamente uma expressão usada atualmente como um jeito pejorativo de descrever qualquer notícia de que uma pessoa não gosta, isso será eficiente?

“Nosso foco está na Alemanha agora, mas certamente estamos pensando em quais países iremos lançar [o sistema] posteriormente”, um porta-voz do Facebook contou ao Financial Times.

Talvez a empresa precise focar novamente seus esforços nos Estados Unidos, considerando que, na sexta-feira, uma história falsa sobre o Flo Rida se apresentar no evento de posse de Donald Trump virou tendência na rede social.

Mais uma vez, a pergunta se levanta: se o Facebook é responsável por decidir se a informação postada em seu site é verdadeira, isso o tornaria um veículo de comunicação?

[H/T Financial Times]

Imagem do topo: Getty