Em uma tentativa de corrigir a percepção de uma pequena, mas muito ruidosa minoria que afirma silenciar as vozes conservadoras do Facebook em suas plataformas, a empresa supostamente foi longe demais na direção oposta e essencialmente deu um passe livre para páginas conservadoras para fazerem o que quiserem.

Segundo documentos vazados e analisados pelo site da rede norte-americana NBC, o Facebook relaxou suas regras de checagem de fato para veículos de notícias e personalidades conservadoras nos EUA, incluindo Breitbart e Diamond and Silk, de modo que eles não seriam penalizados por compartilhar desinformação. Este relato vem um dia após o Buzzfeed detalhar como um funcionário do Facebook foi demitido por supostamente ter coletado evidências do tratamento preferencial da rede para páginas de direita.

Pelos seus padrões, o Facebook pune as páginas que espalham repetidamente informações imprecisas ou enganosas, conforme determinados pelos milhões de parceiros de checagem de fatos da empresa. Se uma conta recebe dois avisos em um período de 90 dias, ela recebe o status de “infrator reincidente” e pode ser banida (com diminuição de alcance ou mesmo perder privilégios sobre propaganda). Os funcionários do Facebook trabalham com parceiros de checagem de fatos para fazer uma triagem desses avisos de desinformação, com os problemas de alta prioridade recebendo uma etiqueta de “escalação” que então os leva para as instâncias superioras da empresa para revisão.

Segundo o registro dessas “escaladas” dos últimos seis meses que foi vazado para a NBC, os funcionários do Facebook na equipe de escalonamentos de desinformação dispensaram avisos emitidos para algumas páginas conservadoras sob supervisão direta da liderança sênior. Aproximadamente dois terços dos casos listados diziam respeito a páginas conservadoras, incluindo as de Donald Trump, Eric Trump e Gateway Pundit (um site de direita norte-americano).

Durante o processo de revisão, os trabalhadores expressaram preocupação de que a repressão a essas violações das regras levaria a publicidade negativa e alimentaria a especulação sobre o suposto viés político da plataforma. Dois funcionários atuais e dois ex-funcionários disseram à NBC, sob condição de anonimato, que o Facebook havia se tornado “hipersensível” a reclamações de conservadores e estava sendo mais tolerante em um esforço para evitar uma possível reação.

“O suposto objetivo deste processo é prevenir o embaraço de falsos positivos contra parceiros de conteúdo respeitáveis, mas os dados mostram que isso está sendo usado principalmente para proteger notícias conservadoras falsas de piores consequências”, disse um ex-funcionário à rede.

O Facebook não respondeu imediatamente ao pedido de comentário do Gizmodo. Em uma declaração enviada por e-mail à NBC, o porta-voz da empresa Andy Stone não contestou a autenticidade dos documentos vazados e disse que, embora o Facebook confie na checagem de fatos para sinalizar postagens imprecisas, a empresa gerencia diretamente “nossos sistemas internos para infratores reincidentes”.

“Aplicamos penalidades adicionais em todo o sistema para várias classificações falsas, incluindo a desmonetização e a incapacidade, a menos que determinemos que uma ou mais dessas classificações não garantem consequências adicionais”, disse ele ao veículo.

Por mais perturbador que seja o fato de o Facebook permitir intencionalmente desinformação em sua plataforma, desde que venha das pessoas certas, o que é ainda mais perturbador é que a companhia está mimando os conservadores, embora eles ainda não tenham produzido evidências sólidas do suposto viés político do Facebook. Na realidade, a plataforma não é estranha ao tipo de conteúdo cheio de ódio que os conservadores afirmam que uma cultura cada vez mais “politicamente correta” está tentando eliminar.

Na maioria das vezes, as plataformas de mídia social têm afirmado repetidamente que as acusações de censura anticonservadora decorrem de eles agirem porque os indivíduos violam suas regras contra assédio e desinformação, ou seja, uma postagem não foi removida porque era tendenciosa, mas porque é contra as regras da própria rede. Não sendo dissuadido pelos fatos, o presidente dos EUA, Donald Trump, continuou a defender uma investigação federal sobre essas alegações e até mesmo sugeriu a possibilidade de criar uma comissão da Casa Branca focada em preconceito e censura online.