Uma coligação de 40 estados americanos liderada pela procuradora-geral de Nova York, Letitia James, tem planos de abrir um processo antitruste contra o Facebook na próxima semana. As informações são da agência Reuters, que diz ter ouvido fontes familiarizadas com o assunto na última quarta-feira (2).

As fontes não citam nenhum dos outros estados envolvidos no caso, e o escopo da ação permanece desconhecido. O que está claro é que, além do processo liderado por Nova York, a Comissão Federal do Comércio dos EUA (FTC, na sigla em inglês), que visa proteger os direitos do consumidor e reforçar a aplicação de leis antitruste, também deve entrar com uma ação antitruste em separado contra a rede social.

Esse seria o próximo passo na extensa investigação da FTC sobre a empresa, que já levou o CEO Mark Zuckerberg para testemunhar sobre as práticas suspeitas da companhia.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, na sigla em inglês) também está encabeçando uma terceira investigação antitruste contra o Facebook, ao lado de uma outra investigação em andamento liderada por membros do Subcomitê Judiciário de Antitruste da Câmara.

Em setembro do ano passado, a procuradora-geral Letitia James anunciou o início de uma investigação em múltiplos estados sobre o Facebook que envolveu procuradores estaduais de Colorado, Flórida, Iowa, Nebraska, Carolina do Norte, Ohio, Tennessee e Washington DC.

Um mês depois, o Washington Post relatou que 46 procuradores-gerais de todo o país se juntaram à investigação. Todos se mostraram “preocupados que o Facebook possa ter colocado os dados do consumidor em risco, reduzindo a qualidade das escolhas dos usuários e aumentando o preço da publicidade”.

O processo relatado esta semana pela Reuters pode tomar vários rumos, mas a área que mais seria prejudicada é a publicitária. Cerca de 99% do fluxo de caixa multibilionário do Facebook vem de anunciantes, que optam pela rede social por já estarem acostumados com ela. Assim como o Google, o Facebook tem um alcance quase infinito de audiência, e tudo por um preço relativamente decente. Assim, fica quase impossível para os anunciantes deixar o serviço.

Com o passar do tempo, o Facebook se colocou em uma posição privilegiada para obter uma fatia cada vez maior do mercado de anúncios digitais. E esses lucros estão longe de sofrerem uma alteração negativa: esta semana, analistas da empresa de investimento em mídia GroupM estimaram que este foi o primeiro ano em que mais da metade de todo orçamento de publicidade será gasto em um meio digital, em vez de ser na TV, jornal ou revista, ou em um outdoor físico. E aqueles que estão gastando dinheiro no digital, normalmente estão gastando dinheiro no Facebook.

A GroupM constatou que a rede social se prepara para arrecadar cerca de um quarto (23%) dos cerca de US$ 110,1 bilhões gastos em anúncios digitais este ano. Para colocar isso em contexto, apenas o Google (29,8%) e a Amazon (10,2%) estão perto do Facebook nesse quesito. O quarto lugar em receitas com anúncios, a Microsoft, não chegou a 4%.

Entramos em contato com o Facebook e com o escritório de Leticia James para comentar sobre este suposto processo. Atualizaremos este artigo se tivermos uma resposta.