Durante anos, as teorias da conspiração antivacina encontraram um lar no Facebook. A rede social viu o problema como sendo sobre a liberdade de expressão e os grupos antivacina que ela hospedava como sendo tão perigosos quanto os terraplanistas. Mas agora que fornecer informações precisas sobre as vacinas ao público é uma questão de importância existencial, a plataforma diz que está lançando uma campanha sem precedentes para remover totalmente as falsas alegações sobre o assunto.

Em uma postagem em seu blog na segunda-feira (8), o Facebook escreveu muitas palavras enaltecendo seus esforços para fornecer informações precisas sobre vacinas para os dois bilhões de pessoas que usam seus produtos. Imerso em toda essa autocomplacência estava uma breve nota sobre a implementação de políticas mais rígidas para combater a desinformação sobre vacinas. Kang-Xing Jin, chefe de saúde da empresa, escreve:

Além de compartilhar informações confiáveis, estamos expandindo nossos esforços para remover falsas alegações no Facebook e Instagram sobre Covid-19, vacinas contra Covid-19 e vacinas em geral durante a pandemia. Hoje, após consultas com as principais organizações de saúde, incluindo a OMS, estamos expandindo a lista de alegações falsas que removeremos para incluir alegações adicionais desacreditadas sobre Covid-19 e vacinas. Saiba mais sobre como estamos combatendo a desinformação sobre Covid-19 e vacinas.

Esta não foi uma mudança repentina, mas provavelmente abrirá a plataforma para novos níveis de caos de moderação e irritará os usuários. Em 2019, o Facebook prometeu rebaixar as páginas e grupos que “espalham desinformação sobre vacinas no feed de notícias e nas buscas” e disse que rejeitaria anúncios que divulgassem desinformação sobre vacinas. A empresa também disse que removeria categorias de anúncios direcionados como “controvérsias sobre vacinas”, lembrando a todos que sim, o Facebook tinha uma categoria especial para essas coisas.

Em dezembro, o Facebook anunciou que começaria a remover postagens que divulgassem informações falsas sobre as vacinas contra Covid-19, especificamente.

A mudança desta semana vai mais além. A empresa afirma que removerá todas as informações incorretas relacionadas à vacina que se enquadrem nos critérios estabelecidos pelo Facebook em coordenação com a “Organização Mundial da Saúde (OMS), autoridades governamentais de saúde e partes interessadas de todo o espectro de pessoas que usam nosso serviço”.

A lista de conteúdo proibido inclui itens diretos, como alegações de que “vacinas causam autismo” ou “vacinas causam a doença contra a qual se destinam a proteger”. Esses pontos devem ser bastante fáceis de aplicar, mas os críticos já estão levantando preocupações sobre algumas das regras mais complicadas. O jornalista e sociólogo Zeynep Tufekci apontou no Twitter que várias regras podem fazer com que pesquisas legítimas sejam marcadas como falsas pelo Facebook, enquanto nosso conhecimento sobre a Covid-19 e as vacinas relacionadas continua a evoluir.

Mesmo que todas as regras tenham sido elaboradas minuciosamente para atingir apenas o conteúdo que a plataforma não deseja, temos muitos exemplos que demonstram que a rede social é péssima em impor suas próprias políticas e seus sistemas de remoção automatizada muitas vezes falham. Ainda na segunda-feira, a BBC noticiou o caso de um fotógrafo na Inglaterra que teve seu trabalho rejeitado pelo algoritmo de anúncios do Facebook em pelo menos sete ocasiões diferentes. Exemplos de fotos rejeitadas incluem uma exibição de fogos de artifício que foi bloqueada por “promover armas” e uma foto de uma simples vaca em um campo escuro que foi rotulada como “explicitamente sexual”.