O Twitter marcou um post do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como enganoso e potencialmente prejudicial por conter informações falsas sobre a COVID-19. O conteúdo agora está oculto e só aparece quando o usuário clica no botão “Ver”. O tuíte também ficará com seu alcance limitado na plataforma.

A publicação dizia que antimaláricos podem ser usados no tratamento precoce da COVID-19 e continha um vídeo do jornalista Alexandre Garcia falando sobre a hidroxicloroquina e outros medicamentos. O medicamento não tem eficácia comprovada contra a doença, e o artigo mencionado por Garcia é apenas um relato de experiências ambulatoriais, que não tem condição de comprovar eficácia. Levantamento feito em novembro do ano passado mostra que o Brasil é o único país onde fake news promovendo o remédio continuam circulando com frequência.

O post de Bolsonaro vem em um momento em que o governo federal é bastante criticado por causa da segunda onda de COVID-19 em Manaus e por conta de atrasos na vacinaçãomais de 50 países já estão imunizando suas populações, e o Brasil não é um deles.

Nesta semana, faltou oxigênio nos hospitais da cidade, insumo vital aos pacienteis com casos graves da doença causada pelo coronavírus. Dias antes, o Ministério da Saúde ignorou os pedidos de mais oxigênio e voltou a recomendar o tratamento precoce sem eficácia comprovada. Ao longo de dezembro, aliados do presidente criticaram a decisão do governo estadual do Amazonas de fazer um lockdown para tentar conter o surto na cidade.

Não foi a primeira vez que o Twitter tomou medidas contra publicações enganosas de Bolsonaro. Em março de 2020, a plataforma apagou dois posts do presidente, em que ele questionava a necessidade do isolamento social e promovia a hidroxicloroquina. Facebook e Instagram também tomaram as mesmas medidas na ocasião.