Um grupo de cientistas acredita ter descoberto pelo menos parte dos fatores de risco genéticos que podem contribuir para uma preocupação com a saúde comum aos homens: a disfunção erétil. Suas descobertas, publicadas na segunda-feira (8) na Proceedings of the National Academy of Sciences possivelmente identificaram um lugar específico em nosso genoma ligado à condição.

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A disfunção erétil afeta 15 milhões de brasileiros, 30% da população masculina economicamente ativa, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e as chances de que isso aconteça aumentam à medida que os homens envelhecem. E homens que têm condições como doenças cardiovasculares ou diabetes tipo 2 também são mais propensos a tê-la. Os cientistas há muito suspeitam que os genes desempenham um papel na disfunção erétil, com base em estudos de gêmeos. Mas tem sido difícil encontrar exatamente onde esse risco adicional poderia estar em nosso genoma.

No estudo atual, pesquisadores nos Estados Unidos analisaram os genes de quase 37 mil homens que eram membros da Kaiser Permanente, a maior organização de cuidados gerenciados dos EUA, e que haviam fornecido suas informações e registros médicos. Nesses homens, eles identificaram um local ao longo do sexto cromossomo associado a um risco extra de disfunção erétil. Esse local — conhecida como locus — foi encontrado perto do gene SIM1.

Ter certas variações desse locus, descobriram os pesquisadores, estava associado com um risco 26% maior de ter disfunção erétil. O risco extra foi visto mesmo quando foram levados em conta outros fatores que contribuem para a condição, como o peso. E a mesma ligação foi vista quando eles observaram os genes de mais de 200 mil homens no Reino Unido que participaram de um banco de dados parecido.

“Identificar esse locus SIM1 como um fator de risco para a disfunção erétil é importante, porque fornece a prova há muito procurada de que há um componente genético para a doença”, disse Eric Jorgenson, cientista da Divisão de Pesquisa da Kaiser Permanente no norte da Califórnia, em um comunicado.

O gene SIM1 é conhecido por codificar proteínas que ajudam a regular o peso corporal e as ereções nos homens. E os pesquisadores acham que algo no locus — mais especificamente, outros genes — influencia a forma como o gene SIM1 é expresso, seja o desligando ou o ligando aumentando sua atividade. Em pessoas geneticamente vulneráveis à disfunção erétil, essa cadeia de comando pode não estar funcionando como pretendido.

“Identificar o primeiro fator de risco genético para a disfunção erétil é uma descoberta empolgante, porque abre as portas para investigações sobre novas terapias baseadas em genética”, disse Jorgenson.

Em seu artigo, a equipe deixou claro que outros pesquisadores provavelmente encontrarão ainda mais fatores de risco genéticos para a disfunção erétil. E, de fato, alguns já o fizeram. Em março, uma equipe no Reino Unido divulgou uma pesquisa na revista pré-impressão bioRxiv que encontrou uma associação entre a condição e outro locus genético encontrado perto do SIM1 (trabalhos de pesquisa submetidos ao bioRxiv não são submetidos a revisão por pares, mas podem ser publicados mais tarde).

Jorgenson e sua equipe acreditam que essa abordagem de uso de grandes bancos de dados genéticos de pacientes vai ajudar a descobrir novos alvos para drogas que possam ajudar tanto homens quanto mulheres. Embora medicamentos conhecidos como o Viagra tenham sido usado com grande efeito por muitos homens com disfunção erétil, eles não vêm sem seus riscos. E alguns homens não respondem a esse tratamento. A disfunção sexual em mulheres, enquanto isso, tem sido um problema muito mais difícil de se resolver usando qualquer medicamento.

[PNAS]

Imagem do topo: Pixabay