Atingir altas velocidades na fibra óptica é um desafio quando a temperatura aumenta. O sinal tem maior probabilidade de se degradar, e é preciso dedicar mais largura de banda para correção de erros.

Agora, engenheiros da Universidade de Illinois (EUA) enviaram dados por fibra óptica a 50 Gbps em temperaturas de 85°C.

Eles criaram um pulso de luz mais nítido e mais eficiente do VCSEL – sigla para “laser de emissão superficial com cavidade vertical” – para tornar mais rápida a transmissão de dados.

Em 2014, a equipe atingiu 40 Gbps enviando dados por fibra óptica usando esse dispositivo. Agora, eles conseguiram enviar dados sem erros por fibra óptica a 57 Gbps em temperatura ambiente – é o suficiente para baixar o conteúdo de um Blu-ray em apenas alguns segundos.

A velocidade cai para 50 Gbps a temperaturas de 85°C. Isso acontece devido a um aumento na distorção na fibra óptica à medida que ela esquenta. “É por isso que os data centers são refrigerados e têm sistemas de arrefecimento”, diz o pesquisador-chefe do estudo, Milton Feng, em um comunicado.

Curtis Wang, Michael Liu and Milton Feng for 57 Gb/s VCSEL for Energy Efficient Transmission

Realizar experimentos em temperatura ambiente coloca um limite na velocidade. De fato, este não é um recorde mundial: já existem aplicações comerciais de 100 Gbps; e em 2014, pesquisadores da Dinamarca atingiram 43 terabits por segundo usando uma só fibra óptica.

No entanto, é notável que a equipe tenha alcançado velocidades tão altas usando o VCSEL em condições fora do ideal. Feng explica que a ideia do estudo é provar que a fibra óptica pode operar em alta velocidade e em altas temperaturas – isso é cientificamente possível e potencialmente útil para aplicações comerciais.

Por exemplo, isso permite criar um dispositivo para data centers e para uso comercial que não exige um sistema complexo de refrigeração, funcionando em temperatura ambiente e mantendo o desempenho em até 85 graus.

“Este tipo de tecnologia vai ser usada não só para data centers, como também para comunicações aéreas, como em aviões, porque os fios de fibra óptica são muito mais leves do que o fio de cobre”, diz Feng.

[Universidade de Illinois via Engadget]

Fotos por Michael Wyszomierski/Flickr e L. Brian Stauffer/University of Illinois