O Snapchat viu o Facebook “se inspirar” em vários dos recursos deles: dos filtros às mensagens que se autodestroem. O discurso da companhia, porém, é humilde: dizem que só têm cinco anos de atividade e que a empresa de Zuckerberg sempre teve mais usuários que eles. Apesar de ter cerca de 200 milhões de usuários ativos contra bilhões do Facebook, o fato é que o Snapchat continua mostrando que está vivo, consegue inovar e chamar a atenção, mesmo com uma escala menor.

A última grande empreitada do Snapchat foram os filtros de criança e de mudança de sexo. Comecei a ver as primeiras ocorrências do filtro no dia 10 de maio — no dia, uma sexta-feira, o app chegou a ser um dos mais comentados no Twitter. A onda continuou no fim de semana e fez com que o Snapchat fosse o app mais baixado no Google Play e na App Store do Brasil.

Segundo levantamento feito a pedido do Gizmodo Brasil pela App Annie, empresa norte-americana de análise de dados móveis, o Snapchat foi o app mais baixado durante a semana do dia 12 de maio. Um detalhe é que, na semana anterior, o aplicativo estava na posição 19 — foi a primeira vez que ele havia aparecido no top 20 das plataformas.

A maior quantidade de downloads foi no Google Play. De acordo com a App Annie, além dos filtros, que fizeram muita gente voltar a usar ou baixar o app pela primeira vez, isso tem relação com o lançamento em abril de um novo aplicativo para Android

Então, basicamente, o Snapchat voltou a ter alguma relevância numérica ao fazer um esforço justamente na plataforma com o maior número de usuários do mundo, o Android. Isso pode parecer óbvio para nós, brasileiros, onde a plataforma do Google domina, mas vale lembrar que, nos EUA, quem reina é o ecossistema da Apple.

O fato, porém, é que o Snapchat perdeu bastante tempo ao deixar os usuários Android de lado. Lógico, talvez a empresa quisesse ter relevância em mercados estratégicos, como o americano. Se formos pensar em escala, que costuma ser o principal parâmetro das redes sociais, foi um tempo precioso desperdiçado.

Muitas pessoas, no Brasil e em outros lugares onde o Android domina o mercado, só foram conhecer os Stories nas plataformas do Facebook. Mas foi o Snapchat quem inventou esse formato de vídeos ou fotos efêmeras — o Facebook só foi responsável pelo nome. A empresa de Zuckerberg “se inspirou” no app concorrente e chegou ao ponto de colocar Stories em praticamente todas as suas plataformas: no WhatsApp, no Instagram e no próprio Facebook.

Parecia uma guerra de Davi contra Golias — e, convenhamos, é mesmo.

Isso ficou bem evidente nas últimas semanas. Apesar do pioneirismo e dos filtros sensacionais, parece que, nessa última semana, boa parte dos usuários baixou o Snapchat, usou os filtros e resolveu postar no Instagram ou em outras redes. Pelo menos na minha bolha de amigos (com idade na casa dos 30 anos) foi o que eu mais vi, com direito até a pessoas colocando “#snap” ou “#snapchat” nos stories ou tuítes com filtros do Snapchat.

No fim das contas, é um cenário bem positivo para as plataformas do Facebook: mesmo com novo filtros e funcionalidades inovadoras lançadas pelo Snapchat, as pessoas acabam postando seus conteúdos nas redes em que elas têm mais amigos ou seguidores. A escala que o Snapchat deixou escapar pesa e muito nessa hora.

Se o Snapchat algum dia vai superar o Facebook, eu não sei, mas não tenho dúvidas que o app parece ainda ter algumas cartas na manga. Afinal, que outra plataforma teria o Thanos rebolando?

(Em tempo, se você quer ter o filtro do Thanos rebolando no Snapchat, basta abrir este link no navegador do seu smartphone com o app atualizado)