O homem mais alto da Grã-Bretanha, Neil Fingleton, morreu no último domingo (26), aos 36 anos de idade. O ator, de 2,31 metros, jogou basquete nos Estados Unidos antes de assumir papeis em Game of Thrones, Doctor Who, A Era de Ultron, X-Men: Primeira Classe e O Destino de Júpiter, como mostrado no começo da semana.

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A causa da morte ainda não foi confirmada, mas Fingleton não é a primeira famosa por sua altura extrema a também morrer extremamente jovem.

André the Giant, lutador e ator de 2,23 metros, morreu de insuficiência cardíaca aos 46 anos. Matthew McGrory, de 2,28 metros, famoso por seu papel em Big Fish, morreu também de insuficiência cardíaca aos 32 anos. Robert Wadlow, de 2,71 metros, o homem mais alto da história, faleceu aos 22, e Zeng Jinlian, de 2,48 metros, a mulher mais alta da história, morreu aos 17. Uma rápida olhada na lista da Wikipédia de pessoas mais altas mostra que poucos viveram além dos 50 anos.

Por quê?

São especificamente as razões que fazem as pessoas crescerem tanto que podem ter um papel em sua morte precoce. Tumores na glândula pituitária — que invoca a puberdade e produz hormônios — do cérebro podem causar gigantismo, que ocorre quando muitos hormônios do crescimento são produzidos durante a infância, e acromegalia, quando muitos hormônios do crescimento são produzidos já quando a pessoa é adulta. Toda essa altura e hormônios do crescimento extras podem ter impacto no coração.

“Essa é a causa mais comum de morte nesses pacientes — insuficiência cardíaca”, contou Alexander Vortmeyer, da Universidade de Indiana, ao Gizmodo. “O coração é mais esticado para bombear sangue para essa pessoa gigante.”

De acordo com uma revisão sobre distúrbios do hormônio do crescimento, o hormônio extra pode engrossar o coração, enquanto mantém as câmaras de bombeamento de sangue do mesmo tamanho. O hormônio do crescimento também pode atrapalhar o funcionamento normal da insulina no corpo — várias pessoas que produzem muito hormônio do crescimento sofrem de diabetes. O tratamento para distúrbios do hormônio do crescimento geralmente exigem a remoção ou a diminuição do tumor da glândula pituitária por meio de cirurgia, medicação ou tratamento por radiação, uma opção recomendada (e não tão arriscada) que funciona cerca de metade das vezes, de acordo com alguns estudos.

Pessoas mais altas do que a média, não se preocupem. Por si só, “ser alto” não é suficiente para causar uma morte prematura, noticia a Men’s Health — aliás, um estudo com 15 mil pessoas descobriu que pessoas mais altas tinham risco menor de problemas cardíacos. Outros estudos já relataram descobertas similares. Mas todos esses estudos fatiam seus dados de maneiras diferentes. O primeiro estudo considera “altos” homens com mais de 1,75 metro, por exemplo, e muitos não revelam as especificidades do que causa gigantismo. Existe uma diferença entre ser mais alto do que a média e de fato sofrer por anormalidades causadas por altura excessiva, explicou Vortmeyer.

Há outras doenças que causam crescimento, como a síndrome de Marfan, que causa problemas nos tecidos conectivos e no colágeno do corpo, uma proteína encontrada dentro deles. Como a acromegalia, você notaria se alguém tivesse a síndrome de Marfan, já que ela vem traz características de formato e aparência corporais distintivas. Pessoas com essa doença frequentemente morrem da ruptura de vasos sanguíneos, por exemplo.

Não consegui encontrar provas de que Fingleton tivesse acromegalia, como André the Giant ou McGrory, mas Vortmeyer supôs que, com essa altura enorme, ele provavelmente produzia muito hormônio do crescimento, de um jeito ou de outro. Entretanto, Nick Cooper, amigo próximo de Fingleton e dono de uma loja com roupas sob medida no Reino Unido, contou ao Gizmodo que “o ator não sofria de acromegalia” e que as conclusões do Dr. Vortmeyer estavam incorretas.

Imagem do topo: Game of Thrones