Um estudo liderado por pesquisadoras do Instituto Oswaldo Cruz aponta que a maior vulnerabilidade social e ecológica do Brasil pode tornar o país uma incubadora para novas pandemias.

Esses novos surtos podem ser provocados por zoonoses, doenças infecciosas de circulação animal que podem ser transmitidas para os seres humanos.

Segundo a pesquisa, publicada na revista científica Science Advances, a atual crise é caracterizada pelo maior descaso dado a evidências científicas e ataques às organizações de conservação do ambiente. Isso se soma à flexibilização das leis ambientais e pela substituição dos mecanismos institucionais da conservação da biodiversidade por políticas ambientais destrutivas.

Dois fatores são considerados de risco para o surgimento de uma nova pandemia, são eles: mobilidade urbana no Brasil, além da caça e comércio de carnes. A circulação de pessoas entre cidades grandes e pequenas conecta fontes de patógenos e lugares super disseminadores. A caça e consumo de carne de caça associadas aumentam a probabilidade de contatos humanos e vida selvagem.

O estudo aponta, ainda, que todo o território brasileiro está suscetível a emergências ocasionadas por zoonoses, com uma maior probabilidade em áreas sob influência da Floresta Amazônica.

Um exemplo é o Maranhão, que tem cerca de 34% do seu território coberto pela floresta tropical, e é classificado como área com alto risco para surtos de zoonoses. Enquanto o Ceará, estado vizinho, onde o bioma da Caatinga prevalece, apresenta baixo risco no surgimento de novas doenças.