Um sobrevoo recente de Vênus pela Parker Solar Probe da Nasa resultou em uma imagem inesperadamente boa do planeta, junto com a revelação de uma capacidade até então desconhecida de um dos instrumentos da espaçonave.

A missão Parker Solar Probe, lançada em 2018, não tem nada a ver com Vênus. A espaçonave da Nasa está apenas usando a gravidade do planeta para se aproximar de seu alvo real: o Sol. Eventualmente, após vários sobrevoos de Vênus, a sonda Parker chegará a 6,9 milhões de quilômetros de nossa estrela hospedeira. O objetivo principal da missão, que deve durar até 2025, é compreender melhor os ventos solares e a coroa solar.

Esta imagem de Vênus foi capturada em julho de 2020, quando Parker estava a apenas 12.380 quilômetros da superfície do planeta. O gerador de imagens de campo amplo do Parker Solar Probe, ou WISPR, capturou esta visão notável do planeta, de acordo com a Nasa.

Uma visão em escala completa da imagem da sonda Parker. As faixas de luz são causadas por raios cósmicos. Crédito: Nasa/Johns Hopkins APL/Laboratório de Pesquisa Naval/Guillermo Stenborg e Brendan Gallagher

O WISPR consiste em dois telescópios ópticos e eles são projetados para capturar imagens da coroa solar, a área de plasma ao redor da estrela, na luz visível (mais sobre este dispositivo aqui). Mas o problema é o seguinte — aquela mancha escura em Vênus é uma característica da superfície, conhecida como Aphrodite Terra – a maior região montanhosa do planeta. Afrodite Terra parece escura porque é mais fria do que a área ao redor. A superfície de Vênus é obscurecida por sua espessa atmosfera, mas esta imagem implica que o WISPR pode detectar radiação térmica além da luz visível.

O fato de o WISPR conseguir fazer isso é uma surpresa completa para a equipe do Parker, de acordo com Angelos Vourlidas, o cientista do projeto WISPR do Laboratório de Física Aplicada (APL) Johns Hopkins. Este dispositivo é “adaptado e testado para observações de luz visível”, disse Vourlidas no comunicado da Nasa, dizendo que “esperavam ver nuvens, mas a câmera espiou direto a superfície”.

“O WISPR capturou efetivamente a emissão térmica da superfície venusiana”, acrescentou Brian Wood, astrofísico e membro da equipe WISPR do Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA, no comunicado da Nasa.

O WISPR, ao que parece, tem uma capacidade inesperada, ou seja, a capacidade de detectar comprimentos de onda de luz no infravermelho próximo. Se confirmada, a Nasa diz que isso pode alterar o escopo das missões para incluir investigações de poeira ao redor do Sol e também dentro do sistema solar interno.

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Quanto àquelas faixas brilhantes de luz vistas na imagem, elas são na verdade raios cósmicos captados pela câmera. Isso é uma coisa normal que acontece.

O WISPR também avistou uma borda brilhante ao redor de Vênus. Provavelmente, trata-se de um brilho noturno, causado por átomos de oxigênio na alta atmosfera. Algo semelhante acontece em Marte, onde o fenômeno produz um brilho verde impressionante.