O HTC One foi mostrado há cerca de um mês e as primeiras impressões foram excelentes: a HTC criou um smartphone da forma como ele deveria ser feito. E isso nos deixou triste, afinal, a HTC não está mais no Brasil. Ou seja, nada de HTC One por aqui.

Será que a perda é realmente tão grande assim? Os primeiros reviews do aparelho já chegaram. Vamos ver como ele se saiu:

Design

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Gizmodo US

Na primeira vez que você vê o HTC One, tem um momento de “Uau…”. E depois de segurá-lo, e usá-lo, o espanto vira admiração. O HTC One impõe respeito. Da perspectiva de design de hardware, este telefone é incomparável. Ele foi construído de um bloco sólido de alumínio, com cada peça levando 200 minutos para esculpir. É bem leve (142 gramas) e fino (9 milímetros) mas parece sólido. A traseira curvada se encaixa na palma da sua mão, enquanto as bordas levemente curvadas ajudam a segurá-lo.

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À primeira vista, é lindo, mas um pouco frio e desumano – muitas linhas limpas e bordas afiadas, além de mais de 12,7 centímetros de altura que o fazem um telefone grande. Mas o One é incrivelmente confortável para segurar… Ele tem algumas falhas ergonômicas, como o botão de ligar no topo que é sempre impossível se alcançar em aparelhos tão grandes, e especialmente o botão Home que foi posicionado muito à direita e é difícil de acertá-lo a não ser que você segure o aparelho com as duas mãos.

Mesmo que eu nunca tenha parado de apertar o logo de HTC centralizado tentando voltar para a tela inicial, o One parece muito melhor do que a maioria dos aparelhos deste tamanho, e eu acabei aprendendo a remexer o smartphone para cima e para baixo na minha mão para alcançar as várias partes da tela e do corpo.

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Em última análise, estamos apaixonados pelo design do HTC One por todos so tipos de razões: é sexy, parece seguro na mão e a combinação de uma peça única de alumínio e policarbonato garantem que o telefone não vai quebrar em milhões de pedaços caso caia no chão (embora ele possa ficar um pouco arranhado, dependendo do ângulo).

Tela

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Gizmodo US

Na parte da frente do dispositivo você encontra a tela Super LCD 3 situada sob o Gorilla Glass 2. É 1080p (1920×1080 pixels) espalhado por 4,7 polegadas, o que dá o até então inédito (em um smartphone) 468 pixels por polegada (PPI), o que é excessivo no limite com bobo. É seguro dizer, os pixels são invisíveis a olho nu.

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Assim que você liga, o One fica ainda mais bonito. Sua tela de 4,7 polegadas, 1920×1080 (isso dá 468 ppi) é a mais nítida que eu já vi… a tela tem cores fantásticas, os pretos são impressionantemente profundos, e parece ótima de qualquer ângulo. Não é notavelmente melhor do que em dispositivos como o Droid DNA, mas isso não é ruim – telas de smartphones estão ficando muito, muito boas, e a do One é boa em todos os sentidos. Bem, todos menos um: estranhamento, a tela não fica muito brilhante, e pode ser difícil enxergar em ambientes abertos com luz solar.

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A tela do One se dá bem em todas as quatro áreas. É um pouco mais brilhante do que a do DNA e significantemente melhor do que a S-LCD2 do One X+: as cores pretas são escuras o bastante, mas não tanto quanto o que você encontra no AMOLED; as outras cores são incríveis e quase naturais, os ângulos de visão são tão bons quanto no One X e DNA, porque é difícil ficar ainda melhor; e nós pudemos ver a tela sem problema com luz solar direta. Filmes ficam incríveis no One, e se queremos exceder o detalhismo, o texto no One é um pouco mais nítido do que no DNA – mas isso é algo que só é notável quando você coloca um ao lado do outro. Pequenos detalhes de lado, a tela do One é uma das mais belas que já vimos.

Câmera

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The Verge

A câmera é a funcionalidade na qual o poder de marketing e sucesso do One pode depender. É chamada câmera “UltraPixel”, e por mais que seja quase totalmente um termo de marketing, significa uma abordagem diferente da HTC… O One tem uma câmera de 4 megapixels, mas a HTC promete que isso é uma coisa boa: esses pixels maiores podem capturar três vezes mais luz, o que deve melhorar o desempenho com baixa luminosidade consideravelmente. Já que coleta menos pontos de dados por foto, a câmera pode fotografar mais rápido, aplicar filtros com mais velocidade, e compartilhar na internet rapidamente.

Estritamente falando, todas as alegações são verdadeiras. O One captura muita luz, e tira imagens surpreendentemente brilhantes (com o aspecto 16:9 padrão em vez do 4:3, o que você deve mudar) onde meu iPhone 5 captura apenas escuridão, e graçar à estabilização ótima de imagem ele pode basicamente ver no escuro e tirar fotos estáveis. Ele também é muito rápido para aplicar filtros ou mudar modos, e fotografa tão rápido que algumas vezes não acreditei que tinha tirado uma foto.

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Em relação a vídeo, o One pode capturar imagens em 1080p a 30fps, ou 720p a 60fps; há suporte a vídeo HDR, assim como capturar simultaneamente imagem em resolução máxima enquanto você grava um vídeo. O resultado para vídeo é impressionante assim como em imagens, com excelente cor, balanço e níveis de brilho, e tremida e barulho mínimo. O desempenho em baixa luminosidade não é convincente como com imagens paradas, apesar do One conseguir fazer imagens com alta e baixa luminosidade misturada muito bem: nas cenas de um show, por exemplo, com luzes brilhantes no palco e escuridão ao redor, ambas as áreas eram claramente visíveis.

Software

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Em seu núcleo, o One é um Android 4.1.2 (Jelly Bean). A HTC, no entanto, focou em colocar sua skin personalizada por cima do sistema móvel do Google. Conhecido como Sense 5, a próxima geração da interface de usuário é muito mais do que uma evolução das versões anteriores – nós ousamos dizer que é uma experiência completamente diferente, muito como foi o Sense 4 em relação ao 3. A quarta versão era uma melhora notável, e a HTC finalmente juntou muitas das suas ideias com o guia de design do Google. Agora, com o Sense 5, a interface mudou quase que completamente de novo, da página inicial até os apps da HTC; é melhor do que o Sense 4 em certos momentos, mas também parece um passo para trás.

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Agora, em vez de redesenhar o Android, a HTC repensou o sistema. Em uma medida bem parecida com o Windows 8, a empresa decidiu que nossas telas iniciais são um espaço inutilizado. Por que ter um desktop cheio de ícones e atalhos, eles parecem estar perguntando, quando você pode encher de conteúdo? A HTC responde com o BlinkFeed, um leitor de notícias estilo Flipboard que ocupa toda a sua tela inicial. Basicamente, você pega algumas fontes de notícias, ou conecta ao Twitter e Facebook, e a tela inicial do seu telefone se torna uma lista constantemente atualizada de histórias e atualizações que você pode querer ler.

É uma ferramenta útil, claro, mas eu realmente não quero ver isso toda vez que desbloquear meu aparelho – é como ter alguém esfregando um jornal na sua cara a cada vez que você abre seus olhos, e deixou-me oprimido pela ideia de ligar o smartphone. Você não pode desligar o BlinkFeed completamente, mas pode definir outro painel como a trela inicial, e eu descobri que deixar as notícias do BlinkFeed em outra tela é muito bom para quando eu tenho alguns minutos para gastar.

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O HTC Sense 5 definitivamente entrega uma experiência de usuário atrativa e certamente vai impressionar algumas pessoas, especialmente aqueles que admiram o Windows Phone. Mas por mais que tenhamos gostado de muitos elementos do Sense 5.0, ele parece uma regressão em outros pontos. A versão anterior do Sense da HTC era sobre emparelhar, o que criou uma interface limpa e simples de usar. Nós queríamos ver eles continuarem neste caminho. Em vez disso, o Sense 5.0 adiciona algumas funcionalidades, mas perde parte de seu lado intuitivo.

Desempenho

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O fato é, enquanto escrevo isso, o Snapdragon 600 é o processador mais rapido do mercado, e os benchmarks – como você pode ver na tabela abaixo – indicam uma sólida melhora em relação ao chip S4 Pro. Nós comparamos o One com o seu antecessor, o One X+, assim como com o Droid DNA com o S4 Pro, e o Optimus G Pro com o Snapdragon 600, então dê uma olhada para ver como o One se comporta:

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Este aparelho tem de tudo, certamente, com especificações high-end por todos os lados. Começa com o novo processador Qualcomm Snapdragon 600 quad-core, um poderoso chip de 1,7 GHz. Ele também tem 2GB de RAM, além da configuração padrão de radio e sensores: Bluetooth 4.0, NFC, Wi-Fi, DLNA, Miracast, acelerômetro, giroscópio e GPS – tem até infravermelho incorporado ao botão de ligar.

Isso tudo faz do One um smartphone impressionantemente poderoso. Os resultados de benchmark são surpreendentes (o resultado de Quadrant de 12,189 é mais do que o dobro do que a maior parte dos aparelhos conseguiam alguns meses atrás) e na prática o smartphone é virtualmente sem falhas. Mesmo jogando Asphalt 7: Heat, um jogo de corrida intenso que faz muitos aparelhos sofrerem queda de quadros, a experiência foi quase perfeita no One. (Além disso, os speakers ajudam a fazer você sentir como se estivesse dirigindo um carro).

Bateria

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A bateria de 2,300mAh do One é uma considerável melhora em tamanho em relação a outros flagships – o OneX usava uma de 1,800mAh, enquanto o One X+ tinha uma de 2,100mAh – então esperávamos ver uma considerável melhora no tempo que a bateria aguentava. Agora para o momento da verdade: no nosso teste de durabilidade, quando tocamos vídeo em HD em loop sem fim, o One aguentou seis horas e meia antes da bateria acabar completamente – um resultado médio.

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Para todas as coisas que o telefone faz muito bem, ele não faz nada por muito tempo. A combinação de um processador rápido com uma tela em alta resolução e um software que sempre está sendo atualizado é terrível para a bateria, e de fato eu sofri para fazer o One durar um dia inteiro. Tem um modo de economia que ajuda bastante, mas também prejudica o smartphone: ele desliga a maior parte das suas conexões sem fio quando você desliga a tela, por exemplo, o que parece um preço excessivo para algumas horas a mais de energia.

Conclusão

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Independentemente de quão bem o flagship da Samsung se dê no mercado, nós continuaremos guardando um lugar especial para o HTC One. Ano passado, ficamos muito impressionados com o One X, mas não era o suficiente. A HTC se esforçou e fez uma sequência ainda mais polida do que a original. Nós adoramos o design industrial e a câmera, enquanto o chip Snapdragon 600 e a tela 1080p não são ruins também. Nós não nos sentimos completamente vendidos por todos os aspectos do Sense 5, mas a experiência de usuário no geral melhorou. No que nos diz respeito, a HTC tem um sucesso em suas mãos.

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Na minha busca pelo smartphone com Android perfeito, eu continuo na espera. Eu quero o hardware do One, mas o software do Nexus 4 e a promessa de atualizações – eu digo há um ano que a HTC deveria oferecer aparelhos com Android puro, e ainda estou convencido de que a empresa poderia se salvar com o One mais o Android puro. Também quero uma câmera melhor – a do One não é ruim, só é mediana, e já vi melhores em outros Androids. Por enquanto, na lista de telefones com Android que valem a compra, incluo dois itens: Nexus 4 e One.

Leia os reviews completos aqui: [Gizmodo US, The Verge, Engadget, SlashGear]