No último capítulo de uma série de protestos de funcionários de grandes empresas de tecnologias, milhares de trabalhadores da Amazon assinaram uma carta aberta pedindo que a companhia faça mais para combater suas emissões de carbono e encerrar suas relações com empresas gigantes do petróleo e do gás.

“A Amazon tem os recursos e a escala para despertar a imaginação do mundo e redefinir o que é possível e necessário para enfrentar a crise climática”, diz a carta. Mas mesmo o plano por trás dessa tentativa de jogar os holofotes sobre essa questão levou muita imaginação. Conforme informou anteriormente o New York Times, opções de compra de ações — uma vantagem popular em se trabalhar nessas empresas de tecnologia — permitiram que uma dezena de funcionários da Amazon usasse sua posição para registrar petições de acionistas pedindo uma redução na dependência de combustíveis fósseis no fim do ano passado.

O número de funcionários da Amazon defendendo essas mudanças de políticas, pelo menos ao ponto de assinar seus nomes na carta pública desta quarta-feira (10) endereçada ao CEO da companhia, Jeff Bezos, é de agora mais de 3.500.

Esse tipo de petição normalmente vem de fora, de investidores ativistas como a coalização OpenMIC, que atualmente está fazendo pressão para que a empresa deixe de vender seu sistema de reconhecimento facial para clientes governamentais e de agências de cumprimento da lei, como forças policiais.

Pelo menos um dos eventos catalizadores desse movimento em crescimento foi uma investigação divulgada pelo Gizmodo nesta semana, que revelou a amplitude do trabalho da Amazon com empresas de petróleo e gás. Quando questionados sobre esses relacionamentos, membros da equipe de sustentabilidade da Amazon pareceram não ter conhecimento algum de que essas parcerias existiam, segundo o New York Times.

Esses mais de 3.500 funcionários da Amazon, operando sob o nome de “Funcionários da Amazon pela Justiça Climática”, são acompanhados por outros grupos, como o “Paralisação do Google para Mudança Real” e outros sem nome, dentro de grandes empresas de tecnologia, pedindo maior autonomia sobre com quem seus empregadores fazem negócios e quais tipos de trabalho eles acreditam ser moralmente abomináveis. Trabalhadores do Google particularmente tiveram sucesso, com progresso na remoção de acordos de arbitragem forçada para funcionários, em benefícios para trabalhadores temporários e dando fim ao envolvimento da empresa em um polêmico programa de drones do Pentágono.

Embora historicamente a Amazon seja devagar para reagir a esse tipo de demanda interna, a empresa rapidamente respondeu a nosso pedido por comentários, destacando principalmente seus esforços com foco no clima. Isso inclui sua iniciativa Shipment Zero, que um porta-voz descreveu ao Gizmodo como “uma visão para zerar a emissão de carbono de todas as entregas da Amazon, com 50% de todas as entregas com emissão zero até 2030”. A companhia também reforçou seu compromisso de divulgar a “pegada de carbono de toda a empresa, juntamente com objetivos e programas relacionados” neste ano, entre outros esforços de energia e sustentabilidade.

“Só em operações, temos mais de 200 cientistas, engenheiros e designers de produtos dedicados exclusivamente a inventar novas maneiras de usar nossa escala para o bem dos consumidores e do planeta”, disse o porta-voz. “Temos um compromisso de longo prazo de abastecer nossa infraestrutura global usando energia 100% renovável.”

New York Times noticia que os investidores da empresa podem ter uma oportunidade de votar o conteúdo da petição dos funcionários ainda neste mês.

O conteúdo completo da carta, assim como todos seus signatários, pode ser visto neste post no Medium (em inglês).