Mais de 4 quilômetros abaixo da superfície, espiráculos hidrotermais de 30 metros vomitam fluídos pretos, de 365 graus Celsius, como se fossem chaminés do fundo do mar. Pequenos caranguejos, camarões e lapas se movimentam apressados sob as pilhas de fumaça, e um veículo submarino operado remotamente (ou ROV, na sigla em inglês) chamado de “SuBastian” foi até lá recentemente para se juntar a todos eles.

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Após localizar um novo conjunto de espiráculos hidrotermais em uma região conhecida como Sub-bacia Mariana, próxima à fossa das Marianas, em 2015, cientistas retornaram com a sonda SuBastian, desenvolvida pelo Schmidt Ocean Institute, em 2016. Eles operaram o veículo remotamente a partir de seu navio, o Falkor, que coletou dados e transmitiu a expedição ao vivo no mês passado.

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A região da sub-bacia contém chaminés de até 30 metros de altura e é repleta de vida, incluindo camarões, caranguejos e lagostas, de acordo com um comunicado de imprensa recente divulgado pelo Schmidt Ocean Institute, em Palo Alto, Califórnia. A rocha dura fornece um substrato da vida no mar ao qual se atracar, em comparação com o lamacento fundo do mar, explica a National Geographic.

Muitos outros países tem veículos como o SuBastian, segundo conta ao Gizmodo David Butterfield, pesquisador do Joint Institute for the Study of the Atmosphere and Ocean, da Universidade de Washington. “Mas suas capacidades técnicas o tornam um dos melhores ROVs por aí quando dá conta de todas as informações úteis.”

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A temperatura, a geologia e a química da Sub-bacia Mariana poderiam levar a ecossistemas muito específicos, diferente de tudo no oceano, além dos espiráculos semelhantes. “Tudo que vive nessas fontes termais vulcânicas está lá por causa da energia química saindo do fundo do mar”, disse Butterfield. “Achamos que há uma variação regional nas espécies que dependem de um cenário em maior escala.”

Os pesquisadores suspeitam de que novas espécies aparecerão nas amostras que obtiveram, mas precisam de tempo para analisar os dados de forma mais aprofundada para determinar isso.

O SuBastian encarou desafios, como conseguir encontrar as plumas vistas um ano antes e nadar através de um vulcão subaquático em erupção. O embarcação conseguiu tirar fotos impressionantes dos espiráculos e produziu o vídeo que você vê nesta nota.

Na sequência, os cientistas continuarão a arrumar quaisquer amassados do ROV e a analisar os dados e as amostras coletadas em suas expedições. Mas o que mais empolgou Butterfield foi o fato de que o Schmidt Ocean Institute permitirá a outros cientistas se inscrever para utilizar recursos como o Falkor e o SuBastian em suas necessidades de pesquisa individuais.