Se você é do tipo que torce o nariz só de ouvir a palavra “vegano”, vai pensar duas vezes depois de experimentar o hambúrguer criado pela Fazenda do Futuro. Disponível, por enquanto, apenas na Lanchonete da Cidade, em São Paulo, e na TT Burger, no Rio de Janeiro, a novidade foi anunciada como um hambúrguer sem qualquer produto animal, sem glúten ou transgênicos, que se parece muito com a tradicional carne bovina.

Para muitas pessoas, o termo vegano vem acompanhado de um “eca”, sem contar que tem gente que não abre mão de uma carne suculenta. Por isso, o hambúrguer do Futuro tenta imitar a aparência, o gosto e a textura de carne para que tanto pessoas que não comem proteína animal como “carnívoros” possam comer um sanduíche gostoso.

Confesso que já tentei aderir ao veganismo, mas tive muitas recaídas durante essa jornada. Além da dificuldade em encontrar produtos acessíveis, também não sou muito fã de legumes e verduras – principais componentes de uma dieta à base de plantas. Por isso, sempre recusei os hambúrgueres feitos de beterraba, abóbora e afins, ou até mesmo os de feijão, cogumelos ou grão de bico. O Futuro Burger é feito de proteína de ervilha, proteína isolada de soja e de grão de bico, e beterraba – todos eles são ingredientes que eu nunca aprendi a gostar. Mas, surpreendentemente, o hambúrguer não tem gosto de nenhum deles, mas de carne mesmo. Para quem sempre buscou uma opção vegetal que fosse tão saborosa quanto a opção carnívora, isso é um verdadeiro milagre.

Apesar do gosto ser muito semelhante à carne, a textura não engana. Ela é um pouco esponjosa, mostrando que o hambúrguer do Futuro pode ter se livrado daquele gosto característico da proteína de soja que ninguém gosta, mas, em termos de textura, ela ainda está lá. Para aqueles que, como eu, até preferem essa consistência mais esponjosa e macia às fibras do hambúrguer bovino, isso não será um grande problema.

Este aqui é o Futuro Burger na vida real. Crédito: Erika Nishida/Gizmodo Brasil

Outro diferencial é que, ao contrário de muitos hambúrgueres veganos, o Futuro Burger é extremamente suculento. Ao pressionar o hambúrguer, é possível ver e sentir um caldinho muito saboroso que imita o sangue da carne.

Na Lanchonete da Cidade, é possível pedir qualquer sanduíche do cardápio trocando o tradicional hambúrguer de carne pelo Futuro Burger. Mas o restaurante também criou uma opção especial para o lançamento do novo hambúrguer que é totalmente vegana e foi batizada de LC Futuro. Por R$ 29, além do disco do hambúrguer do futuro, o sanduíche leva alface e tomate orgânicos, além de queijo e maionese veganos.

Assim como a maioria dos queijos veganos, infelizmente ele não derrete e o sabor é bem diferente do queijo tradicional. Mas a maionese, por outro lado, é praticamente idêntica à feita com ovos. Eu experimentei as duas opções, tradicional e vegana, com a batata rústica e confesso que foi bem difícil diferenciá-las – a não ser pela textura, já que a maionese vegana é mais cremosa.

Não, este hambúrguer não é do Black Mirror, apesar da carinha sobre o pão. Crédito: Erika Nishida/Gizmodo Brasil

Uma grande vantagem é que, apesar de você ter a sensação de ter comido um tradicional hambúrguer de carne, o LC Futuro é extremamente leve – exatamente por levar apenas ingredientes à base de proteína vegetal.

Logo nos sete primeiros dias após o lançamento, em 13 de maio, a Lanchonete da Cidade afirma ter vendido um total de 5,1 mil unidades do hambúrguer do futuro nos cinco restaurantes de São Paulo. O sucesso só confirmou o potencial público disposto a provar o lanche de proteína vegetal. Os sanduíches Quitandinha (que agora também é vegano) e Falafel já faziam parte do cardápio e são os hambúrgueres sem carne da casa. Juntos, eles ocupam o 3º lugar de lanches mais vendidos. Com esses números em mente, a Lanchonete da Cidade já está desenvolvendo opções de sobremesas veganas.

O conceito de hambúrgueres à base de produtos vegetais já é tendência lá fora, com empresas como a Impossible Foods e Beyond Meat promovendo a chamada “comida do futuro”.  Aqui no Brasil, esse mercado também parece ter grande potencial de crescimento. Segundo pesquisa realizada pelo IBOPE Inteligência em abril de 2018, 14% da população brasileira se declara vegetariana, o que representa quase 30 milhões de pessoas.

Além disso, um estudo realizado pelo Datafolha em janeiro de 2017 revelou que 63% dos brasileiros querem reduzir o consumo de carne, 73% se sentem mal informados sobre como ela é produzida, e 35% se preocupam com a saúde em relação ao seu consumo.

Assim como a Impossible Foods, o objetivo da Fazenda do Futuro e da Lanchonete da Cidade é que as opções sem carne atendam a todos os paladares, visto que essas “comidas do futuro” recebem esse nome exatamente porque poderão ser uma das soluções para as futuras crises alimentar e ambiental causadas, principalmente, pela produção (e consumo) excessiva de proteína animal. 

Não há como negar que nosso padrão alimentar atual é insustentável. Assim como também não é tão simples mudar nossos hábitos da noite para o dia principalmente se a nossa rotina e padrão de vida atuais não facilitam. Por isso, quando uma novidade dessas como a da Fazenda do Futuro e da Lanchonete da Cidade surge, é válido considerar como uma opção antes de rejeitar totalmente por pura e simples aversão a “coisas veganas”.

A Fazenda do Futuro já está desenvolvendo uma versão “2.0” do Futuro Burger, com o objetivo de torná-lo ainda mais parecido com carne. Ainda assim, a primeira versão já é bem convincente e deve agradar não apenas a veganos e vegetarianos. Na próxima vez que eu for à Lanchonete da Cidade, o hambúrguer do Futuro com certeza será minha primeira opção.