Estas estranhas galáxias talvez só existam por causa da misteriosa matéria escura

As galáxias ultra-difusas se parecem mais com nuvens. Eles são tão grandes quanto a nossa Via Láctea, mas têm apenas cerca de 1% das estrelas.

Um astrônomo não tem muita dúvida quando encontra uma galáxia usando um telescópio: galáxias são conjuntos brilhantes e densos de milhões de estrelas, muitas vezes em forma de espiral ou orbe, unidas firmemente por forças gravitacionais. Mas cientistas descobriram um novo tipo de galáxia que não é bem assim.

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As novas galáxias se parecem mais com nuvens. Eles são tão grandes quanto a nossa Via Láctea (cerca de 60.000 anos-luz de diâmetro), mas têm apenas cerca de 1% das estrelas. Astrônomos dizem que estas são galáxias ultra-difusas.

Elas desafiam tudo o que sabemos sobre a formação de galáxias. Como elas conseguiram sobreviver de forma tão difusa? Como elas não se desfizeram?

Imagem: B. SCHOENING, V. HARVEY/REU PROGRAM/NOAO/AURA/NSF, P. VAN DOKKUM/HUBBLE SPACE TELESCOPE

Imagem: B. SCHOENING, V. HARVEY/REU PROGRAM/NOAO/AURA/NSF, P. VAN DOKKUM/HUBBLE SPACE TELESCOPE

O astrônomo Pieter van Dokkum, da Universidade Yale, liderou o estudo publicado no Astrophysical Journal. Ele diz em um comunicado do Observatório Keck:

É notável que elas tenham sobrevivido. Elas estão em uma região densa e violenta do espaço, cheia de matéria escura e galáxias zunindo ao redor, por isso acho que elas devem estar envoltas em “escudos” invisíveis de matéria escura que as protegem contra este ataque intergaláctico.

Ou seja, o mistério dessas galáxias ultra-difusas talvez seja explicado pela matéria escura, que é outro mistério. A maior parte do universo é feito de matéria escura, mas ela não interage com a luz – por isso é invisível e difícil de detectar.

A matéria escura não emite radiação eletromagnética (luz, ondas de rádio etc.), não é antimatéria nem forma buracos negros. Os cientistas sabem que ela existe somente porque veem os seus efeitos sobre o mundo visível – ela puxa gravitacionalmente a matéria em torno dela.

Agora é preciso rever hipóteses, e astrônomos já têm algumas ideias para explicar essa anomalia. O astrônomo Roberto Abraham, da Universidade de Toronto, diz:

O grande desafio agora é descobrir de onde esses misteriosos objetos vieram. Seriam “galáxias falhas” que começaram bem e, em seguida, ficaram sem gás? Elas eram galáxias normais que sofreram tantas colisões a ponto de se assemelharem a nuvens? Ou elas são pedaços de galáxias que foram arrancados e depois se perderam no espaço?

Outro membro da equipe, o astrônomo Aaron Romanowsky, especula sobre como seria a vida em um planeta de uma galáxia ultra-difusa:

Se houvesse algum alienígena vivendo em um planeta numa galáxia ultra-difusa, ele não veria nenhuma faixa de luz através do céu, como na nossa Via Láctea, para dizer-lhes que eles estavam vivendo em uma galáxia. O céu noturno teria muito menos estrelas.

Imagem: P. VAN Dokkum, R. Abraham, J. BRODIE

Imagem: P. VAN Dokkum, R. Abraham, J. BRODIE

A Dragonfly 44, na primeira acima, é uma dessas novas galáxias descobertas por dois telescópios no Observatório Keck em Mauna Kea, no Havaí.

Uma equipe de astrônomos comparou os dados dos dois telescópios, que miravam o aglomerado de galáxias Coma. Ele está a uma distância de aproximadamente 300 milhões de anos-luz, e pode ser visto na constelação Coma Berenices (perto da constelação Leão do zodíaco). [Keck Observatory]

Primeira imagem por NASA

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