Se você visitar o Alasca este ano, poderá experimentar um evento geológico único. Uma geleira no Parque Nacional Denali começou a se mover entre 50 e 100 vezes mais rápido do que o normal.

No mês passado, um piloto que sobrevoava Denali — um parque que abriga a montanha mais alta dos EUA — avistou uma topografia incomum ao redor da geleira Muldrow e tirou fotos da paisagem irregular para enviar a um amigo geólogo. Usando a dica do piloto, o Serviço de Parques Nacionais (NPS, na sigla em inglês) confirmou que a geleira, que fica perto de Denali (anteriormente conhecido como Monte McKinley), está passando pelo que é conhecido como um evento de onda glacial.

Ondas glaciais são “eventos realmente estranhos”, disse Jonny Kingslake, professor assistente de ciência ambiental da Universidade de Columbia, em uma videochamada. “São essas coisas que fascinam os glaciologistas há décadas”.

Qualquer pessoa que já fez uma caminhada ao longo de uma geleira pode considerá-las um tanto inativa. Mas, a maioria das geleiras do mundo está constantemente em movimento, fluindo a taxas glaciais (muito literais) de milímetros por dia e recuando e avançando com as estações. Em uma configuração glacial normal, disse Kingslake, você veria a queda de neve no topo da geleira, derretendo ou esculpindo na parte inferior, e então o gelo “fluindo como um material viscoso, como o mel” entre os dois, mantendo as geleiras em equilíbrio.

Contudo, algumas geleiras (cerca de 1% das geleiras do mundo), agrupadas em áreas geográficas específicas como o Alasca e partes do Tibete, passam por períodos cíclicos em que se movem muito mais rápido do que o normal, seguidos por um período de descanso. Esses períodos são conhecidos como ondas glaciais, vagamente definidos como quando uma geleira ganha uma velocidade pelo menos 10 vezes maior do que seu ritmo normal.