Provavelmente foi o jetlag. Ou porque eu sou mulherzinha mesmo. Mas logo que entrei numa grande loja de eletrônicos em Tóquio, fiquei com dor de cabeça. Tudo é muito muito claro e iluminado e todos os produtos, mesmo que sejam um pen drive, tem uma quantidade ridícula de informações. Veja estas TVs e o tanto de coisa escrito junto. Você consegue deduzir o que é?

Muitas etiquetas envolvem descontos e vendas casadas. A ideia, me parece, é que você não precisa gastar o precioso tempo do vendedor tirando dúvidas – tudo já está escrito junto do aparelho. Por sorte estava com um brasileiro que fala japonês do lado, que explicou mais ou menos o que significava tudo aquilo. 

Na etiqueta maior, por exemplo, há o preço, desconto à vista, custo adicional por garantia extra e entrega/instalação. Há também quanto de desconto você consegue entregando sua TV antiga (reciclagem pode valer ou custar (!) dinheiro – mais sobre isso depois) ou assinando determinado serviço de TV a cabo; quanto mais você vai pagar por um cabo HDMI, quanto fica o combo com um home-theater e assim por diante. Até qual o consumo de energia por mês (tipo quanto você vai pagar na sua conta) e distância ideal do sofá está especificado.

Isso tudo além de todas as informações técnicas – inclusive mostrando quais recursos a TV não tem. O que vocês acham? Melhor, mais transparente e instrutivo ou poluição visual simplesmente? A minha impressão é que se você gastar seu tempo lendo tudo isso, especialmente com todas as concorrentes uma em cima (e do lado) da outra, e ainda assim chamar um vendedor, é porque provavelmente você não sabe ler em japonês. Era o meu caso (via uma câmera, tentava entender tudo, e chamei o vendedor). Como o simpático cara também não entendia inglês, ficamos quites. E eu comprei em outra loja.

* O Gizmodo Brasil viajou ao Japão a convite da Panasonic. Comprou uma bela câmera nova (em outra loja) e ganhou uma de brinde, bem bacana, para dar a seus leitores. No Concurso de legendas, amanhã (hoje, pra mim).