Um golfinho branco, considerado raríssimo tem chamado atenção por fazer “passeios” na Baía de Monterey, Califórnia. Seria uma visita de Halloween? A criatura branca não parece tanto quanto os outros da sua espécie, ele é tipo um fantasminha e recebeu o nome de Casper

Segundo Nancy Black, bióloga marinha da Monterey Bay Whale Watch, raramente o golfinho visita a região com tanta frequência, na maioria das vezes ele vem, passa uma temporada e vai embora, mas desta vez ele tem aparecido mais vezes.

A equipe do Monterey Bay Whale Watch avistou Casper duas vezes na última semana.

Risso, a raça desse golfinho branco,  pode viver até 35 anos.

Casper foi visto pela primeira vez em 2015, pelo fotógrafo do Observatório de Baleias da Baía de Monterey, Daniel Bianchetta, que descreveu a experiência como magica.

“Foi mágico! O nome parecia apropriado. Não o veríamos por seis meses seguidos, então ele era como um fantasma, você o via às vezes, ou então não”, disse Bianchetta, que na ocasião deu o nome para o “fantasminha”.

Outra característica que chama atenção em Casper é quão incomum ele é, se comparado com a sua espécie. Mas Black e outros cienticistas acreditam que essas características incomuns tem explicação, o golfinho é “leucisítico”.

O leucismo é uma mutação genética que, quando presente, reprime a melanina e outros pigmentos que determinam a cor da pele e dos cabelos. Apesar de parecerem albinos, eles não são! Pois, não possuem todos os sintomas geralmente associados aos animais albinos.

Enquanto os mamíferos albinos normalmente têm olhos rosa ou vermelhos, Casper não tem.

Além de Casper, pelo menos mais um golfinho leucistico com manchas brancas, rosa e preta foi avistado na costa do sul da Califórnia e também uma baleia cinza-esbranquiçada esteve em Monterey.

“É muito raro”, disse Black sobre a coloração branca brilhante de Casper. “Eu faço isso há 30 anos e ele é o único que eu vi assim”, explica a biologa.

De acordo com Black, que estudou a dieta dos golfinhos, a espécie se alimenta apenas de lulas. Essa é a principal razão pela qual Risso veio para a área da baía de Monterey, onde as lulas desovam de abril a novembro.

“Rissos são meio errantes, eles vão onde as lulas são mais abundantes”, disse Black. “Quando as lulas desovam, elas vêm para esses cardumes enormes, os Risso’s detectam isso e, assim como os barcos de pesca, seguem-nos perto da costa”.

A bióloga ainda disse que Risso também se alimenta de no mínimo, 8 especies de lulas, sendo que algumas podem chegar até três metros de comprimento.

A maneira como golfinhos como Casper caçam lulas ainda deixa os cientistas perplexos. “É um grande mistério como eles pegam as lulas”, disse Black.

“Ninguém os viu comer uma lula”, disse Black, “Provavelmente acontece lá embaixo, em águas profundas”.

Casper e outros Rissos são frequentemente vistos ao redor do Monterey Canyon — um dos cânions submarinos mais profundos do Pacífico. Cientistas documentaram que o cânion se estende a profundidade de mais de 3,22 km.

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O golfinho branco é um espetáculo para ser visto por visitantes e residentes, mas sua singularidade também ajuda, cientistas a entender mais sobre os golfinhos de Risso.

Os pesquisadores não sabem exatamente para onde as espécies viajam ao longo do ano e por quê. Segundo Black, os golfinhos ainda não foram rastreados formalmente em um estudo.