Tudo que Arlene Kaganove, 86, queria era um bagel da rede Panera (uma espécie de rede de padarias dos EUA) em seu aniversário. Em vez disso, após se cadastrar no programa de recompensas My Panera, Arlene recebeu ameaças via e-mail pedindo que ela pagasse o equivalente a US$ 1.400 (quase R$ 5.300) em bitcoin — os golpistas tentaram convencê-la a pagar ao dizer que tinham uma gravação dela assistindo um filme pornográfico.

“Sempre me inscrevo em qualquer coisa que possa me dar prêmios pelo meu aniversário”, disse Arlene ao canal NBC 5, de Chicago.

De acordo com Arlene, os cibercriminosos enviaram a ela ameaças por e-mail afirmando que tinham uma gravação dela assistindo filmes pornográficos. A razão por que ela notou que o vetor para o golpe era a Panera foram os contatos (nome de usuário e senha) que ela usava para se conectar em sua conta do My Panera. E como Arlene, diferente de nós, tem bons hábitos de segurança, ela disse que o usuário e senha nunca tinham sido usados para outras contas. Em uma entrevista em vídeo para a NBC 5, Arlene mostrou um caderno onde ela anota todas suas senhas e nomes de usuário para cada site. Nem tudo é perfeito com a Arlene no quesito segurança, né?

O fato é que a Panera foi alvo de um vazamento que afetou 37 milhões de consumidores em abril deste ano. Entre os dados, estavam nome, e-mail, endereço, data de nascimento e os quatro últimos dígitos do cartão de crédito dos consumidores. A Panera disse à NBC 5 que menos de 10 mil consumidores foram impactados pelo vazamento. “Nenhuma senha de contas do programa de recompensas My Panera foi exposta no incidente de abril de 2019”, disse a empresa.

Sobre a questão da velhinha, a companhia disse que “nós também fizemos uma análise forense dos dados do último ano e confirmamos que a conta da Arlene não foi acessada de forma inapropriada”. Sério mesmo, Panera? Para esclarecer: os cibercriminosos não tinham acesso a uma conta da Panera para usar dados vazados — aliás, as ameaças foram pelo e-mail.

Da parte de Arlene, pelo menos ela levou a situação com senso de humor, dizendo que ela achou “hilário” que golpistas disseram que eles tinham evidências de que ela estava assistindo filmes pornô.

“Eles me disseram que eu tenho um bom gosto para pornô, então achei que foi gentil da parte deles”, disse Arlene em entrevista. No entanto, ela adicionou que se eles tivessem a gravado mesmo, tudo o que eles teriam visto é “uma velhinha reclamando com o computador por não fazer o que ela ordenava”.

Por fim ela disse que o bagel favorito dela se chamava “everything bagel” e que ela não tinha planos para investir em bitcoin. Tá vendo? Seja como a dona Arlene.