O Google anunciou ontem o Android 4.4 KitKat, que traz novidades na interface e maior integração às buscas. Mas na lista dos aparelhos que receberão a atualização, há uma ausência notável: o Galaxy Nexus, conhecido como Galaxy X no Brasil. É que para o Google, ele é velho demais – mesmo tendo um hardware capaz.

Para o Google, se um dispositivo foi lançado há mais de 18 meses, ele não merece ser atualizado. “O Galaxy Nexus, lançado inicialmente há dois anos, encontra-se fora do período de atualização de 18 meses, em que o Google e outros fornecedores atualizam habitualmente os dispositivos”, diz a empresa no FAQ.

O que fazer: instalar uma ROM customizada como o CyanogenMOD? Comprar um aparelho novo, como o Nexus 5? Não importa: de um jeito ou de outro, está claro que o Galaxy Nexus não é mais problema do Google. Você é dono de um? Então se vire.

Este é o posicionamento do Google, e como sabemos, as fabricantes podem ser ainda piores em atualizar seus aparelhos. Alguns flagships são atualizados relativamente rápido (como a série Galaxy S); mas são exceções que confirmam a regra.

É uma pena porque, no caso do Galaxy Nexus, ele obviamente tem o hardware necessário para rodar o KitKat. Na verdade, o Google promete que o Android 4.4 rodará de forma fluida em dispositivos com até 512 MB de RAM; o Galaxy Nexus tem 1 GB.

Há quem cite o processador do Galaxy Nexus como um empecilho. Sim, é um modelo dual-core de 1 GHz, porém é um TI OMAP, e a Texas Instruments parou de fabricá-lo há cerca de um ano. Isso justificaria o fim do suporte a ele em novas versões do Android. Ora, isso não foi um problema na hora de levar o Jelly Bean 4.3, lançado em julho, para o Galaxy Nexus. Sério que mais uma atualização .1 seria um problema tão grande para o Google? Seriam dois anos de suporte, o que estaria de bom tamanho.

Se hardware fosse o problema, o Google alegaria isso como um motivo. Há tempos, o Google vem “cortando” atualizações da linha Nexus por isso: o Nexus One parou no Android 2.3 porque, segundo o Google, ele era “muito velho” para o Ice Cream Sandwich. O Nexus S parou no Android 4.1 também por falta de especificações. Ambos tiveram o período máximo de 18 meses de atualizações.*

O que nos leva à linha Nexus mais recente. Ao contrário do Galaxy Nexus, o Nexus 4 vendeu bastante, sempre esgotando rápido devido ao preço baixo. E ele ainda tem especificações boas o suficiente. Em alguns meses, ele também não será mais problema do Google?

O Google ainda não fala sobre a próxima versão do Android, mas isso nos deixa receosos quanto às atualizações futuras. O Nexus 4 foi lançado em novembro de 2012; ele receberá atualizações 18 meses depois, após maio de 2014? E o Nexus 7, lançado em julho de 2012, será abandonado após janeiro de 2014?

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Alguns certamente ficarão tentados em comparar a situação da linha Nexus com os produtos da Apple, que recebem atualizações por anos – mas não é uma comparação exatamente justa. A Apple não atualiza seus aparelhos puramente por bondade ou respeito ao consumidor.

A ideia é mantê-los todos na mesma versão; dessa forma, os desenvolvedores podem criar apps visando apenas a versão mais recente do iOS, sabendo que a maioria dos usuários poderá usá-los (e comprá-los). Isso evita a fragmentação de apps. No Android, 30,7% dos usuários ainda usam versões 2.x. (A diferença fica só nas funcionalidades que o iOS oferece em cada geração de iDevice: quanto mais velhos, menos novidades.)

No geral, a Apple só atualiza os aparelhos que ela ainda vende. O exemplo mais claro: quando o iPad 2 foi lançado em março de 2011, o iPad 1 foi descontinuado. Já no ano seguinte, ele foi esnobado na lista de aparelhos que receberiam o iOS 6. O hardware dele era comparável ao iPhone 4, que foi atualizado.

O iPod Touch de 4ª geração, por sua vez, foi lançado em 2010 e tem hardware semelhante ao iPhone 4. No entanto, ele foi descontinuado em maio deste ano. No mês seguinte, a Apple revelou o iOS 7, e adivinhe: ele só pode ser instalado no iPod Touch de 5ª geração. Há exceções, como o iPad 3 (descontinuado, mas ainda atualizado), que comprovam a regra.

É difícil perceber esta estratégia da Apple por dois motivos. Primeiro, ela costuma anunciar novas versões do iOS antes de descontinuar iPhones ou iPads (nos casos acima, ela o fez depois). Segundo, ela vende modelos antigos por até três anos – e para seguir a estratégia dela, é preciso atualizá-los por todo esse tempo.

Mas, mesmo que as atualizações sejam problemáticas em aparelhos antigos – o iOS 5 fica lento no iPad original, o iOS 7 fica lento no iPhone 4 – elas são oferecidas. Torcíamos que, com o Nexus, nós pudéssemos ter o mesmo no Android.

A linha Nexus tem garantia de atualização direta do Google. Para quem quer rodar sempre a versão mais atual do Android, é a melhor escolha. Mas como ficou bem claro hoje, “melhor” ainda não é bom o bastante. É muito pedir por, no mínimo, dois anos de atualizações?


*O Nexus S foi lançado em dezembro de 2010, e sua atualização para o Android 4.1 foi prometida em junho de 2012, dezoito meses após o lançamento. No entanto, ela só chegou em outubro de 2012.

Fotos por Steve Wright Jr./Flickr e Android Central