A China tem um exército de censores que vasculham a internet e bloqueiam informações que o governo não quer que as pessoas vejam. O trabalho desses censores pode ficar um pouco mais fácil se o Google seguir com seu novo plano. A companhia americana está planejando lançar uma nova versão censurada de sua ferramenta de busca e de seus aplicativos.

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A notícia veio do repórter Ryan Gallagher, do Intercept. Ele teve acesso a documentos internos confidenciais sobre os planos de uma ferramenta de buscas censurada. De codinome Dragonfly, a nova tecnologia do Google tem sido desenvolvida ao longo dos anos e já foi demonstrada às autoridades do governo chinês.

Os planos para a nova ferramenta de buscas inclui aplicativos Android que permitiria que usuários pesquisassem no Google sem serem expostas a informações que o governo considera inaceitáveis. O Android já possui a maior fatia do mercado entre todos os sistemas operacionais na China – atualmente, o produto do Google está em praticamente  metade de todos os dispositivos.

O CEO do Google, Sundar Pichai, viajou à China em dezembro de 2017 para discutir a futuro da empresa no país. Os planos para o lançamento da ferramenta de buscas acelerou a partir desse momento. Os produtos censurados do Google ainda precisam da aprovação final do governo chinês antes de serem lançados no mercado.

Os censores chineses proíbem palavras e frases que são vistas como subversivas, incluindo referências ao livro Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, da personagem de desenho animado Peppa Pig e até mesmo do Ursinho Pooh.

Por que banir uma personagem da Disney? A imagem de Pooh foi associada ao presidente chinês Xi Jingping em alguns memes publicados em 2013, quando ele foi visto andando com o presidente Barack Obama. A Disney tem parques temáticos na China, o que complica ainda mais as coisas.

De acordo com o Intercept, cerca de 200 funcionários do Google estão trabalhando nessa nova ferramenta de buscas. A maioria deles estão baseados na sede do Google em Mountain View, nos EUA, enquanto outros estão espalhados pelos Estados Unidos. O Intercept conversou com uma pessoa  da empresa que se diz preocupada com o empenho do Google em trabalhar com o governo chinês e acatar a restrição de informações no país, principalmente pelo fato de essas informações poderem ser vistas por todo o resto do mundo.

Como isso poderia impactar a maneira que o resto do mundo vê as informações? A influência chinesa está crescendo enquanto o mundo fica cada vez menor. Um exemplo: a empresa de hotéis Marriott recentemente demitiu um de seus gerentes de mídias sociais por curtir um tuíte sobre o Tibete após uma reclamação do governo chinês.

O Google enviou ao Gizmodo o seguinte comunicado a respeito de seus novos produtos na China:

Oferecemos diversos aplicativos para celulares na China, como o Google Tradutor e Files Go, além de ajudarmos desenvolvedores chineses. Temos investimentos significativos em empresas chinesas como a JD.com. Mas não comentamos especulações sobre planos futuros.

[The Intercept]