O Google anunciou esta semana que comprou a Gecko Design, um estúdio de engenharia mecânica e design de produto que existe há 18 anos, para fazer parte do Google X. Por que adquirir uma empresa de engenharia pequena como a Gecko? Bem, eles querem sua capacidade de transformar ideias em produtos reais.

O Google X é o laboratório interno da empresa para ideias malucas de longo prazo – os “moonshots”. Há muito dinheiro para realizar projetos, mas alguns deles precisam de mais um empurrãozinho. Afinal, cada vez mais, o Google X lida com tecnologias que poderiam se tornar comuns, como carros autônomos e o Google Glass.

Aí entra a Gecko Design: com quase duas décadas de vida, o estúdio não é um nome tão conhecido no mundo do design, mas trabalhou em alguns dos produtos de consumo mais high-tech da última década, muitos deles em parceria com estúdios bem conhecidos.

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Por exemplo, a Gecko realizou o trabalho de engenharia mecânica do FitBit original, um clipe que acompanha atividades físicas – ele foi projetado pelo conhecido escritório NewDealDesign. Vale lembrar que o Google X tem um interesse especial em dispositivos que acompanham sua saúde: o laboratório está criando dispositivos portáteis que podem coletar dados – como ritmo cardíaco e níveis de oxigênio – de forma contínua.

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O estúdio também levou a Aliph, fabricante do Jawbone – um headset Bluetooth lançado há alguns anos – “desde a concepção até a fabricação deste pequeno, porém complicado produto para consumidores”.

Além disso, a Gecko Design projetou o Sonos Connect, dispositivo que faz streaming de música para seu aparelho de som; e ajudou a Logitech com os componentes eletromecânicos do seu joystick sem fio. Eles também supervisionaram a fabricação chinesa da luminária de mesa Leaf, da Herman Miller:

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Então por que não ouvimos falar mais sobre a Gecko? A empresa explica em seu site: “criatividade sem praticabilidade é inútil ao se desenvolver produtos para consumidor. Nós estamos cientes das limitações de fabricação e podemos interceptar falhas de design potencialmente custosas antes que elas virem um problema. A linguagem do design e da fabricação é muitas vezes divergente.”

Em outras palavras, o trabalho deles é mais forte nos bastidores: ou seja, pegar ótimas ideias de pessoas criativas e levá-las através do tortuoso caminho da fabricação global – algo que envolve colaborar com pessoas em vários países, e lidar com contratempos. É uma tarefa difícil, e uma importante expertise para se ter.

Dado que o Google pretende desenvolver vários novos projetos de hardware, a ajuda terá um valor inestimável. O Google, no entanto, não revelou os termos da aquisição. [Bloomberg]

Foto: Sergey Brin, cofundador do Google, demonstra o Glass criado no laboratório Google X. AP Photo/Paul Sakuma