O Google tem novas regras para a veiculação de anúncios publicitários de política em sua plataforma. Nesta quarta-feira (20), a companhia publicou uma atualização em suas diretrizes e afirmou que irá limitar o direcionamento dos anúncios para idade, gênero e localização geral. Ainda assim, será possível veicular anúncios com direcionamento contextual, que serão exibidas para pessoas lendo sobre um determinado tópico, por exemplo.

A diferença da nova política é que não será mais possível direcionar os anúncios de acordo com o comportamento dos usuários. Ações de busca, categorizações como “de esquerda” ou “de direita” e até o uso de base de dados que permitia uma comparação com usuários de comportamentos similares não serão mais permitidos. (Esse é o nível de segmentação que o Google consegue oferecer a partir dos dados que coleta sobre você).

A iniciativa vem alguns dias depois de o Twitter anunciar que não permitirá anúncios políticos em sua plataforma. Na ocasião, o CEO da rede social, Jack Dorsey, aproveitou para alfinetar o Facebook sem citar diretamente a rede, argumentando que a política de permitir que os políticos mentissem abertamente em anúncios pagos equivalia a uma abordagem baseada na monetização da desinformação.

O Google, por sua vez, diz na publicação oficial que está “comprometido com diversos esforços para ajudar a proteger campanhas, trazer à tona notícias eleitorais confiáveis e proteger eleições de interferência estrangeira”. Falta combinar com quem produz material sensacionalista e cheio de desinformação e que é constantemente promovido pelos algoritmos da companhia – é bem comum encontrar na lista recomendações do Google Discover veículos sensacionalistas de todos os espectros políticos, sem contar nos vídeos promovidos pelo “Em Alta”, do YouTube.

As novidades nas diretrizes passarão a valer já na próxima semana no Reino Unido, a tempo das eleições gerais de 12 de dezembro. A companhia diz que as regras serão aplicadas em toda a União Europeia até o final do ano e para o resto do mundo a partir do dia 6 de janeiro de 2020.

A publicação do Google também fala sobre a promoção de desinformação, afirmando que não serão permitidas alegações falsas “seja do preço de uma cadeira ou uma alegação de que você pode votar por mensagem de texto, que o dia da eleição foi adiado ou que um candidato morreu”, nas palavras da companhia. Da publicação da companhia:

Para tornar isso mais explícito, estamos esclarecendo nossas políticas de anúncios e adicionando exemplos para mostrar como nossas regras proíbem coisas como “deep fakes” (mídia adulterada e manipulada), declarações enganosas sobre o processo do censo e anúncios que fazem alegações comprovadamente falsas que poderiam prejudicar significativamente a participação ou a confiança em um processo eleitoral ou democrático. Naturalmente, reconhecemos que o diálogo político robusto é uma parte importante da democracia, e ninguém pode julgar sensatamente cada reivindicação política, contradição e insinuação. Portanto, esperamos que o número de anúncios políticos nos quais tomamos medidas seja muito limitado – mas continuaremos a fazê-lo por violações claras.

Uma reportagem da Reuters aponta que, no mês passado, o Google se recusou a remover um anúncio veiculado pela campanha de Donald Trump veiculado no YouTube, que, segundo a a campanha de Joe Biden, candidato a presidente democrata, continha afirmações falsas. Segundo a empresa, o anúncio não violava suas políticas.

Um porta-voz do Google disse à Reuters que o vídeo ainda seria permitido sob a as novas diretrizes.