Na última sexta-feira (15), o Twitter revelou os detalhes finais de seus planos para restringir anúncios políticos na plataforma, afirmando que iria proibir a promoção paga de conteúdo político feito por candidatos e partidos políticos – esclarecendo que permitiria que outros grupos tocasse em assuntos políticos desde que sejam “baseados em causas”.

O Twitter não aceitará mais anúncios que promovam qualquer tipo de legislação, medida eleitoral, referendo ou regulamento. “Anúncios que contenham referências a conteúdo político, incluindo apelos a votos, solicitações de apoio financeiro e apoio a favor ou contra qualquer um dos tipos de conteúdo político listados acima, são proibidos sob esta política”, disse a empresa.

Tradução: Hoje, estamos compartilhando todos os detalhes da nova política de anúncios políticos do Twitter. Aconselho a ler todos os detalhes, mas queria compartilhar algumas das ideias que foram incorporadas na sua criação. Esta nova política entra em vigor no dia 22/11.

“A publicidade digital é incrivelmente eficaz. Devemos enfrentar o risco que ela traz quando se trata de impulsionar resultados políticos”, disse Vijaya Gadde, líder global do Twitter para legislação, políticas, confiança e segurança, em um tuíte.

A mudança de política acontece após semanas de debate controverso sobre o uso de plataformas de mídia social por políticos e, em particular, anúncios políticos que contêm desinformação.

No mês passado, o Facebook alterou seus termos de serviço, tornando mais fácil para os políticos promover mentiras em anúncios pagos. O Facebook defendeu a decisão dizendo que só está interessado em promover a liberdade de expressão, mas também dizendo que não tem nada a ver com as centenas de milhões de dólares que ganha com anúncios políticos ao redor do mundo. (Ao mesmo tempo, a empresa proibiu certos usos do que ela chama de emojis de frutas “sexualmente sugestivos”.)

A campanha de Trump, que gastou mais de US$ 22 milhões no Facebook no ano passado, utilizou o Facebook com frequência para espalhar informações falsas aos eleitores. Os anúncios de Trump afirmam, por exemplo, que os democratas querem uma “revogação da Segunda Emenda”, mesmo que nenhum legislador ou candidato tenha proposto isso.

O Facebook facilita a disseminação de informações falsas sobre o rival político de Trump, Joe Biden. Em um anúncio pago pela campanha de Trump, o Facebook ajudou a divulgar a alegação de que Biden havia prometido à Ucrânia um bilhão de dólares para demitir o procurador “que investiga a empresa de seu filho”.

O Politifact e o Factcheck.org checaram a alegação, dizendo que embora o filho de Biden, Hunter, fizesse parte da diretoria de uma empresa ucraniana, não há evidências de que o ex-vice-presidente tenha intervido em seu nome.

A proibição de anúncios políticos no Twitter tem sido amplamente aplaudida. Porém, algumas organizações de direitos civis perguntaram por que, se o Twitter pode proibir anúncios políticos, não proibirá os neonazistas e supremacistas brancos que usam a plataforma para espalhar conteúdo de ódio e ameaças?

“Os anúncios pagos são apenas um elemento da toxicidade nociva do Twitter: racismo, supremacia branca, discurso de ódio e conteúdo que incita à violência são comuns na plataforma”, disse Jessica J. González, cofundadora da coalizão Change the Terms. “Políticos, figuras públicas e líderes políticos regularmente usam o Twitter como arma e não precisam pagar por anúncios para fazer isso. Um tuíte de ódio pode tornar-se viral e incitar a violência real que ameaça vidas”.

González acrescentou que mais de 100 mil pessoas assinaram uma petição online pedindo ao Twitter que banisse supremacistas brancos. Enquanto eles forem bem-vindos a usar o Twitter “como um megafone para seu ódio tóxico”, ela disse, “a plataforma continuará a falhar em sua responsabilidade de proteger seus usuários, especialmente as minorias étnicas”.