Muito se fala sobre privacidade online, e os perigos de expor a intimidade de usuários no meio digital. Mas e seu cachorro? Ele levaria numa boa se soubesse que teve a própria imagem vazada na internet?

Não há nenhuma lei regulatória relacionada a fotos de bichos na web, é claro. Apesar disso, o Google pode contribuir para esse anonimato animal, ainda que sem querer –para a alegria dos pais de pet mais discretos.

Quem nunca foi olhar uma rua pelo Google Street View e notou que as placas dos carros e rostos das pessoas estão com um borrão? Essa correção de imagem é feita de forma automática pelo Google desde 2008, e visa preservar dados e a identidade das pessoas.

Mas internautas já perceberam que o Google Maps, vez ou outra, também borra os rostos dos bichinhos. O recurso foi notado por usuários do fórum Reddit neste post há 9 anos, e circulou também nas redes sociais. A imagem do doguinho censurado pioneiro é a que você vê abaixo.

google

Em 2019, o site The Dodo contou a história de um outro cão que também teve a cara borrada. E o curioso é que quem encontrou a imagem foi a própria dona do bicho, que navegava pelas redondezas de sua casa nos EUA. O nome do cão? “Lenda” –não poderíamos pensar em uma alcunha melhor. A postagem viralizou num grupo do Facebook.

A decisão do Google de desfocar os rostos dos animais não se deve a uma aplicação do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD). Isso porque o regulamento oficial não fala em momento algum sobre animais. Os regulamentos de proteção de dados aplicam-se apenas a pessoas vivas. Empresas, animais, pessoas falecidas ou outros elementos não são contemplados.

A resposta, na verdade, é simplesmente a ferramenta que borra as faces de forma automática se confundindo –e achando que o doguinho era um humano peludo.

É o que aconteceu, por exemplo, nesta famosa foto que circulou a internet em 2016. Numa captura do Google Street View tirada em Cambridge, na Inglaterra, uma vaca aparece com o rosto embaçado. Culpa da inteligência artificial, que, no caso, não foi tão inteligente assim, segundo o próprio Google.

“Acho que nosso sistema foi um pouco zeloso demais”, disse o Google, à época.

Moral da história? Algoritmos ainda têm um longo caminho para refinar seu senso de julgamento. Uma coisa é certa: melhor é pecar pelo excesso, não é mesmo?