A primeira coisa a se fazer antes de decidir comprar um assistente de voz é baixar as expectativas. Sim, é impressionante o que eles podem fazer, mas ainda é bastante limitado.

Se você contar para seu dispositivo que está com vontade de comer pão na chapa ele não vai acessar seu aplicativo de delivery, encomendar três pãezinhos, acessar sua smart geladeira para conferir se tem manteiga e pedir no app do supermercado caso tenha acabado.

Talvez num futuro próximo, com o desenvolvimento da internet das coisas, isso aconteça, mas por ora, eles são capazes de responder perguntas, fazer buscas na internet, acessar alguns aplicativos e executar rotinas pré-programadas. Quando te entendem.

Testamos dois modelos disponíveis no Brasil. O Echo Dot 4, da Amazon, tem a Alexa embarcada. É redondo e pequeno, cabe na mão. Tem botões de volume e mudo –surdo, nesse caso– aparentes. O acabamento da caixa é em tecido.

O Google Nest Audio 2021, que tem a Google Assistente embarcada, é maior e mais pesado, do tamanho de uma caixa de som pequena. Ambos são discretos e bonitos e se integram muito bem à casa como um objeto de decoração

Os cantos superiores arredondados do Nest funcionam como botões de volume sensíveis ao toque. Na traseira, o botão de desligar o microfone não é nada discreto, talvez intencionalmente, para deixar claro que o assistente não está ouvindo.

Google Nest Audio 2021. Imagem: Google/Divulgação

Para mostrar que foram acionados ao seu comando, o Echo Dot tem um anel luminoso multicolorido na base. O Nest tem quatro leds no painel dianteiro escondidos atrás do acabamento.

Como caixas de som, ambos performam muito bem. Pelo tamanho, os graves do Echo Dot impressionam com um som potente, assim como o Nest, que tem regulagem mais fácil no aplicativo e um ótimo desempenho para manter um som ambiente no volume certo.

Echo Dot. Imagem: Amazon

A maior dificuldade tanto do Echo Dot como do Google Nest –que testamos por 15 dias– foi compreender comandos de voz, justamente sua principal função. Os dispositivos foram testados com as configurações básicas indicadas pelo fabricante na instalação.

O Echo Dot, ao ser questionado sobre a diferença entre um porco e um javali, explicou a diferença entre um galo e uma galinha. E o Google Nest foi incapaz de fazer uma ligação para a Karen, me oferecendo Karine, Karla, Kleber e Casa.

Ao longo dos dias, conforme foram sendo usados, os dois melhoraram a compreensão das palavras, mas a experiência foi um pouco frustrante.

Echo Dot. Imagem: Amazon

Pedir músicas para os dois também não é tarefa simples. O Echo Dot não é um bom bilíngue. Configurado em português, ele chegava a soletrar algumas palavras em inglês e não conseguia entender palavras pronunciadas corretamente. Só músicas brasileiras tocavam de primeira.

Nesse aspecto, o Google Nest saiu-se muito melhor. Configurado em português, ele aceita e responde comandos em inglês e espanhol. Peca um pouco para compreender palavras em inglês caso a pronúncia não seja perfeita.

O Nest também é melhor em ser sucinto. Ao serem perguntados sobre a altura do Monte Everest, o Nest responde “8.849 metros”, já a Alexa: “Aqui está algo que eu encontrei: Segundo a Wikipedia, o monte Everest é a montanha mais alta do mundo e tem 8.849 metros”.

Consumir notícias também ainda é um processo tedioso nos dois dispositivos. Eles não interpretam notícias, mas oferecem pequenos boletins em áudio, produzidos pelos portais e jornais.

Quando questionados sobre o que aconteceu na favela do Jacarezinho –um dia após o massacre na favela carioca– ambos tocaram boletins que continham a notícia, mas sem começar necessariamente no ponto em que a informação era dada.

A maioria desses programetes tem vinheta e apresentação, o que transforma uma resposta simples em enfadonha.

Google Nest Audio 2021. Imagem: Google/Divulgação

Isso reforça a simplicidade destes dispositivos. Longe da imagem de um assistente-robô, os dois são apenas dispositivos acionados por voz, com capacidade de executar rotinas configuradas nos seus sistemas operacionais.

A Alexa consegue fazer mais do que o Nest em termos de habilidades com os chamados Skills. São programas que podem ser habilitados pelo aplicativo Alexa no smartphone, para fazer coisas como pedir um Uber, ler receitas e até jogos como adivinhar músicas.

O Nest Audio, por sua vez, é uma boa opção para quem quer mais agilidade nas respostas, além de ser integrado com a sua conta Google e tudo o que estiver logado por lá.

O sucesso de ambos lá fora se dá pela ótima conexão com dispositivos de smart homes, como termostatos, lâmpadas, TVs e até cozinha, algo ainda caro no Brasil e com poucas opções no mercado.