Este é um ano difícil para o arquiteto e engenheiro civil Santiago Calatrava. Ele está sendo processado por muitos, muitos clientes, e um deles é Valência, na Espanha – sua cidade natal. Lá, uma casa de ópera que ele criou agora está em ruínas. Mas uma empresa que vende tinta de grafeno quer resgatar a obra.

A Graphenano, fabricante de produtos de grafeno com sede em Alicante, enviou uma proposta para os administradores da cidade de Valência, argumentando que um de seus produtos poderia salvar o Palácio das Artes Rainha Sofia – a obra de Calatrava.

Aberto há oito anos, o edifício foi inicialmente muito elogiado, mas agora está se deteriorando rápido. Mesmo custando US$ ​​455 milhões, a casa da ópera teve um detalhe mal-projetado: a forma curva da fachada fez 60% do seu revestimento cerâmico se soltar e cair durante ventos fortes. Como explica o Atlantic Cities:

A casa de ópera tem uma concha de metal que tende a curvar enquanto se expande e contrai, reagindo às temperaturas diárias extremas de Valência… milhares de pequenos azulejos semelhantes a mosaicos cobrem as chapas de metal, e começaram a quebrar… todos os azulejos terão que ser removidos.

No final de dezembro, o Palácio foi fechado e todo o revestimento foi arrancado. Mas este não é o único dano: o telhado começou a trincar. A cidade de Valência processou Calatrava pelos danos.

Graphenano Valencia (2)

Foto por Josep Tomàs/Flickr

Mas, de acordo com o jornal El Mundo, o custo dos reparos futuros pode ser extremamente reduzido se a nova fachada for revestida com uma tinta super-resistente à base de grafeno. O produto se chama Graphenstone, e é feito com uma mistura de calcário em pó e grafeno. Isto “funciona como uma malha de suporte em nível molecular”.

A tinta irá manter firme o revestimento cerâmico, e irá aguentar melhor as mudanças do ambiente, como temperaturas quentes e frias. A pintura já está à venda, sendo usada em edifícios mais antigos na Espanha.

Graphenano Valencia (3)

Enquanto isso, a empresa de Calatrava propôs três soluções alternativas no final de janeiro, incluindo a simples substituição das telhas ou uma suavização da fachada com pasta de cimento. Nenhuma delas parece exatamente ideal; e ainda devem ser extremamente caras (mais de US$ 4 milhões).

É uma situação ruim para todos os envolvidos, mas resolvê-la com uma tecnologia incrível – que ainda não encontrou muita utilidade no mundo real – seria uma ótima oportunidade para Valencia e para a ciência.

O grafeno é um supermaterial do futuro. Feito de uma camada de carbono com um átomo de espessura, é um dos materiais mais fortes do mundo, é completamente flexível, é melhor condutor do que o cobre, e as suas possíveis aplicações são incríveis. [El Mundo]

Foto inicial por AP Photo/Fernando Bustamante