Durante os últimos anos, a Apple pode relaxar e assistir o crescimento do iPod touch, sua central multimídia baseada no iOS que deixa de lado o telefone e pensa basicamente nos aplicativos. Agora, tudo indica que Jobs terá um concorrente digno, numa plataforma diferente e também entupida de apps: o Galaxy Player, o irmão mais avançado do Galaxy Player 50 foi exibido na CES e mostra que o Android quer muito mais do que smartphones e tablets.

Pelo que vimos antes, o Galaxy Player parecia ser apenas um Galaxy S sem o telefone. De fato, quando você começa a usar o Galaxy Player, há uma sensação de déjà-vu: o aparelho tem o design e interface bem semelhante ao celular, e é bem rápido, com o mesmo processador de 1GHz. Ou seja, a Samsung decidiu seguir os mesmos passos da Apple em relação ao iPhone e o iPod touch: o segundo abre mão das ligações e assume o posto de “plataforma de conteúdo” de bolso, deixando para trás planos de dados e complicações com operadoras. O cenário é tão parecido que o Player também tem algumas diferenças em relação o Galaxy S. A tela de 4” e 800×480 não é Super AMOLED, e sim Super Clear LCD: a tela não impressiona como a do Galaxy S, com cores vivas e brilhantes, mas eu gostei do que vi. A câmera traseira tem 3.2 megapixels, em vez dos 5MP do celular, mas ainda filma a 720p; e o Player tem uma câmera frontal VGA, para videochamadas. E para o terror de quem anda de ônibus, o Player tem alto-falantes estéreo. Mesmo no pavilhão barulhento, eu chamei a atenção quando toquei música sem o fone de ouvido.

O Galaxy Player roda Froyo e tem acesso ao Android Market. A interface do Android é bem semelhante à do Galaxy S, com a interface da Samsung mais alguns retoques com foco em consumo de mídia. Por exemplo, na barra de notificações, você pode controlar a música que está tocando.

O Galaxy Player tem um player de música feito pela Samsung, e não a versão pobre do Android padrão, e lembra o app de música do iPod touch – sim, mais influências da maçã. No entanto, o app de vídeo é quase tão simples quanto a versão do Android padrão. Como você tem acesso ao Market, pode baixar substitutos, mas a experiência imediata deveria ser superior. Bem, vale lembrar que o Galaxy Player roda quase todo tipo de vídeo sem precisar de conversão: a ideia é que, se você tem MP4s, AVIs com DivX ou até MKVs, pode jogar o arquivo direto no aparelho e assistir. Não pudemos testar vídeos fora o que estava incluso no celular, mas ele rodou liso todo um vídeo em 720p.

O Galaxy Player também conta com o SoundAlive, um conjunto de funções para reprodução de música no aparelho: emulação de som surround, equalizador automático e controle de volume que abaixa o volume quando você usa o Galaxy Player por muito tempo. A qualidade do som não parecia algo a se destacar, mas estávamos num pavilhão enorme e barulhento, então não podemos julgar isto ainda.

Então o Galaxy Player poderia ser um concorrente direto do iPod touch? Pode apostar que sim, exatamente por contar com o mesmo fator de sucesso do produto da Apple: os apps. Não é qualquer “iPod genérico” que tem acesso ao Market: o Google tem exigências mínimas de hardware para conceder a benção da lojinha de aplicativos. Além disso, dá pra ver que a Samsung teve um cuidado em deixar o produto bem acabado, tanto por dentro como por fora. E não fique por aí questionando se ele será “um iPod touch killer” – entenda que ele é apenas uma opção diferente, com uma gama interessante de aplicativos, mas numa outra plataforma que vem crescendo cada vez mais. É a prova de que o Android quer mais do que smartphones, TVs, tablets: ele quer praticamente tudo que envolva consumo de conteúdo e afins.

O Galaxy Player ainda não tem data de lançamento prevista fora da Coreia, onde será lançado neste mês – mas imaginamos que ele deva chegar aos EUA ainda neste semestre. Enquanto isso, aguardamos a movimentação da Samsung Brasil. [Samsung na CES 2011]

O Gizmodo Brasil viajou para Las Vegas a convite da Motorola.