Por anos, um dos maiores problemas do Android eram as skins que pesavam nos melhores hardwares que a plataforma tem a oferecer. Mas agora os dois melhores smartphones com o sistema do Google — o HTC One e o Samsung Galaxy S4 — têm edições com o sistema puro, sem alterações. E, depois de passar um tempinho com os dois, podemos confirmar que se livrar das alterações os deixou ainda melhores.

Eles não estão à venda no Brasil, mas mesmo assim, comparamos um com o outro e cada um deles com a versão com as modificações feitas pelos fabricantes.

HTC One: Android padrão vs Sense

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O One com Sense já era o smartphone mais esperto que tínhamos usado. Com o Android padrão, ele fica ainda mais veloz. Os apps abrem um pouco mais rápido e a transição entre telas é um pouco mais suave. A maior diferença que você vai notar, no entanto, é que ele está mais limpo. O Android 4.2.2 (Jelly Bean) é um SO bem mínimo. Apps como calendário, relógio e até mesmo a gaveta de aplicativos são bem reduzidos e fáceis de usar. A customização, por exemplo, é muito mais fácil.

Você ainda tem o mesmo ótimo aparelho em termos de hardware. No que diz respeito ao design, ele ainda é o nosso favorito e de longe o melhor para segurar. A tela é incrivelmente nítida e parece tão bonita quanto na versão com skin. Os alto-falantes duplos da frente ainda soam incríveis (os melhores que já ouvimos) e quando você usa fones de ouvido, a equalização é a mesma dos Beats by Dre, que ressalta os graves e tem um excelente som (o HTC One tem um pré-amplificador dedicado para essa tarefa). Infelizmente, nem todas as novidades são boas.

A única desvantagem significante no aparelho Google Edition que testamos é que a câmera não funciona nem de longe tão bem quanto na outra versão. Você deve se lembrar do sensor “ultrapixel” do HTC One que venceu a nossa batalha de câmeras de smartphone. Fica óbvio que o software de câmera da HTC balanceia as imagens daquele sensor único, já que o app padrão do Android não faz um bom trabalho. As fotos tendem a ser lavadas, superexpostas e subsaturadas. Mesmo com pouca iluminação elas não ficam bem.

O novo app da câmera é bem definido e fácil de usar, mas você perde muitas das funções avançadas que estão no app do Sense (apesar de que várias delas reaparecem no app Galeria como ferramentas de edição), além de modos especiais. Por outro lado, você ganha o PhotoSphere, que é divertido, mas acaba sendo um prêmio de consolação.

Pode ser, entretanto, que o defeito esteja no aparelho que testamos. Um assessor do Google respondeu nossas perguntas assim:

O hardware da câmera e as camadas baixas de software (processamento de imagem, etc) são exatamente as mesmas nas duas versões do HTC One, então não deveria haver diferenças. Nossos testes mostram que a qualidade é consistente entre as duas.

Dito isso, nós estamos vendo diferenças nas suas amostras. Nós faremos mais testes e podemos dar uma olhada no aparelho que está com vocês para checar se não há algum problema de hardware.

Então, não sabemos ainda. Tomara que seja só um problema com nosso aparelho mesmo.

Há alguns outros probleminhas também, coisas pequenas que você tem no Sense que não estão na versão pura. No app do discador do Sense, você pode começar a digitar o nome de um amigo no teclado numérico (usando as letras sobrescritas) e você vai parar direto nos contatos. O discador padrão não faz isso, então você terá que passar pela longa lista de contatos. O Sense tem perfis de fábrica — uma maneira fácil de alternar entre os modos Normal, Vibrar e Silencioso. Isso também não está no Android puro. Além disso, o One vem com infravermelho para você usar seu smartphone com controle remoto. Não apenas a versão pura não tem nada disso como também não há apps na Play Store para usar essa função. Disseram que haverá aplicativos para isso em breve, mas não sabemos ainda quando (e fomos atrás de mais informações).

Há também o preço um pouco mais salgado, pelo menos nos EUA: US$ 600. Não é muito caro para um telefone desbloqueado e sem subsídios, mas quem está acostumado a pagar US$ 200 por um celular topo de linha com descontos da operadora pode ficar chocado.

Há, claro, a maior vantagem da versão stock que ainda não mencionamos: atualizações. A versão com Android puro certamente receberá as novas versões do sistema junto (ou pelo menos próximo) aos aparelhos Nexus. O One com Sense ainda está na versão 4.1.2, que já tem mais de um ano. Para pessoas que querem as últimas novidades do Google, isto é uma grande diferença.

Galaxy S4: Android padrão vs TouchWiz

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Depois de bastante usar o Galaxy S4, quase todas os nossos poréns sobre o aparelho eram relacionados a software. Então, você deve ter pensado que trocar a TouchWiz pelo Android puro iria consertar quase todos os problemas dele, certo?

Sim, isso é isso mesmo.

A TouchWiz da Samsung é uma skin bem pesada, que reduz o desempenho do aparelho, mesmo com o superveloz Snapdragon 600 e seus quatro núcleos e 1,9GHz de clock. No HTC One, o Android puro foi levemente mais rápido. No Galaxy S4, a diferença é notável. Passar por telas e menus é mais rápido e suave. Aplicativos geralmente abrem mais rápido e, o mais importante, quase não há lag na câmera, sendo que a versão com TouchWiz chega a demorar quase um segundo para disparar.

O TouchWiz também é cheio das configurações e sinos e apitos, muitos dos quais são completamente inúteis e ficam ocupando espaço nos menus. O ponto forte do Android sem modificações é seu minimalismo. Os apps padrão parecem melhores e mais intuitivos quase sem exceção. A customização é bem mais simples.

No que diz respeito ao hardware, felizmente, as fotos da câmera de 13MP parecem idênticas às da versão com TouchWiz. Novamente, o app da câmera é muito mais simples, apesar de você ganhar o PhotoSphere e um acesso mais fácil ao HDR. Você perde muitos dos divertidos modos de câmera que a Samsung coloca no aplicativo, como o Drama Shot (que sobrepõe várias imagens em movimento num único disparo) e GIFs animados. Como você sabe, o Galaxy S4 tem um slot para cartões microSD e mesmo que você possa ler arquivos de lá (fotos etc), não dá para usá-lo completamente. Por exemplo, não há um jeito nativo de mover apps para o cartão, como existe em várias skins do sistema.

Há, claro, coisas de que você sentirá falta. De novo, o discador do TouchWiz permite que você digite nos números para procurar seus contatos, coisa que não dá para fazer na versão pura do Android (vamos consertar isso, por favor, galera!), e você perde a função de perfis da Samsung também. O TouchWiz também tem alguns atalhos práticos na área de notificações; algumas pessoas podem sentir falta deles, mas nós achamos que a versão pura lida melhor com isso, além de manter seu painel mais organizado e fácil de ler.

Assim como ocorre com o HTC One, algumas pessoas vão se assustar com o preço. A US$ 650, não é exatamente barato, apesar de não ser ruim para um smartphone topo de linha desbloqueado e sem subsídios. Como suspeitávamos, colocar o Android puro no Galaxy S4 fez dele um dos melhores aparelhos já vistos.

Galaxy S4 vs HTC One, agora com versões puras

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Então, se você se decidiu por comprar uma dessas versões Google Edition, eis o comparativo entre os aparelhos, agora com software idêntico.

Construção

Tela

  • As telas são bem diferentes, como você pode ver no vídeo acima. As duas são 1080p. A do S4 tem 5 polegadas e dá a você mais espaço, enquanto a do One tem 4,7 polegadas, o que resulta numa densidade de pixels um pouco maior, o que a torna levemente mais nítida.
  • Nos brancos, a tela do One caiu um pouco para o lado róseo, enquanto a do S4 ficou um pouco azulada/esverdeada. A “melhor” é uma questão de preferência pessoal, apesar de que gostamos um pouco mais da do One.
  • Nos pretos, não há disputa. Os do Galaxy S4 parecem puro vácuo, mesmo com o brilho no máximo, situação em que os do One ficam um pouco acinzentados. Ainda é muito bom, mas não tanto quanto o Samsung.

Câmera

  • Como você pode ver no vídeo, a câmera do HTC One acha o foco e dispara mais rápido que a do Galaxy S4. Mas, como mencionamos anteriormente, o One puro tirou fotos piores que a versão com skin. Assim, as imagens do S4 foram bem mais nítidas e com cores e contraste melhores. O One, entretanto, continua insuperável em condições de pouca luz. Esperamos que os problemas da câmera do One sejam resolvidos numa atualização de software (esperamos ouvir alguma coisa sobre isso), mas por enquanto a câmera do S4 é melhor.

Áudio

  • O One é o vencedor nessa categoria, sem discussão. O S4 não chega nem perto. Os alto-falantes estéreo são altos e claros. O alto-falante externo do S4 (na traseira) é baixo e terrível quando comparado ao HTC. Além disso, o pré-amplificador do One deixa a música bem melhor nos fones de ouvido.

Interface

  • Ao contrário dos Nexus, o One e o S4 têm botões de navegação. O One tem dois, ambos capacitivos: um para a tela inicial e outro para voltar. Dois toques no home e ele abre o multitarefas, segure e ele abre o Google Now.
  • O Galaxy S4 tem três botões de navegação: voltar e menu são capacitivos e o da tela inicial, no meio, é físico. Aperte uma vez para ir para a tela inicial, duas vezes para o multitarefas e segure para o Google Now.
  • Os botões capacitivos do HTC são mais rápidos e fáceis de usar. Também, por não haver um botão menu, as opções aparecem na tela dos apps, onde é bem mais intuitivo.

Velocidade

  • Navegando pelo sistema operacional, o HTC One é um fio de cabelo mais rápido. Considerando que ele tem o mesmo software e o mesmo processador, mas configurado para 0,2GHz a menos que o S4, isso não deveria ocorrer. Mas ocorre. Vai entender. Nós estamos falando de uma diferença muito pequena, entretanto. Nos benchmarks, a vitória é do S4, mas isso não importa, a menos que você esteja jogando um jogo muito pesado, e mesmo assim, não notará a diferença.

Preço

  • Por último, mas não menos importante, os preços nos EUA: o HTC One sai por US$ 600 e o Galaxy S4 custa US$ 650.

Eis as nossas primeiras impressões de ambos. Nós vamos testá-los melhor e certamente atualizaremos este post se encontrarmos alguma coisa digna de nota.