Como fazer um smartphone diferente? Nos últimos anos, os celulares evoluíram tanto que é difícil achar espaço para novidades. Talvez um novo processador aqui, ou uma câmera diferente ali. No geral, os smartphones da atualidade são quase idênticos. E aí veio o LG V10.

O V10 chega para ser de uma categoria diferente da série G da LG. Ele é um pouco maior do que o G4, com tela de 5,7 polegadas, e é equipado com um Snapdragon 808. A traseira removível aparece novamente, junto com uma bateria de 3.000 mAh e uma câmera de 16 megapixels – todas as coisas que vimos no G4. Mas a normalidade dele acaba aí.

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Ao pegar o V10, a primeira coisa que você nota nele é a solidez. Ele não só é incrivelmente robusto como é também um pouco pesado. Em partes por usar um design de aço inoxidável e silicone, mas é mais ou menos o peso que tem um iPhone 6S Plus, que a LG admite ser o smartphone com o qual eles querem concorrer.

Em questão de design, o smartphone é bem diferente da linha G. As suas laterais são de aço inoxidável e a traseira removível é de silicone. E é esse design robusto, que mistura metal com outros materiais, que faz o V10 se destacar em relação aos outros.

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Depois do corpo sólido e robusto, seus olhos vão notar a estranha segunda tela do V10. Apesar de ter sido feito como se fosse apenas uma única lâmina de vidro, a segunda tela fica acima do display QHD (513 ppi) e é iluminada por uma luz separada.

Mas qual é a função dessa segunda tela? No geral, ela não é muito diferente dos apps Edge da linha Galaxy da Samsung, sendo que ela no geral lembra mais o Note 4 Edge do ano passado. A segunda tela pode ficar sempre ligada (isso é opcional) e pode ser usada de diversas formas, seja para exibir os apps mais usados, os recentemente usados, ou até mesmo a sua assinatura. Quando o smartphone estiver desligado, ela sempre vai mostrar hora, dia e a barra de notificações.

No pouco tempo que passei brincando com a segunda tela, eu diria que a amei do mesmo jeito que a odiei. Explico: em algumas vezes eu só queria ir até o app de Configurações, e usava a segunda tela para chegar nele rapidamente sem precisar passar por todos os apps. Isso é ótimo, e ajuda a mostrar como a filosofia por trás da segunda tela funciona. Você consegue navegar pelo seu smartphone com um pouco menos de esforço.

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Mas ela também traz alguns problemas. O maior deles é o posicionamento – não sou muito fã de smartphones de 5,7 polegadas. Sempre achei que algo entre 5 e 5,5 é o tamanho ideal para a maioria das pessoas. A LG no geral fez um ótimo trabalho ao manter as bordas bastante finas colocando o botão de ligar na traseira, como já havia feito no G4, mas ele ainda é um smartphone grande e que ficou ainda maior com a inclusão da segunda tela.

A partir do canto inferior esquerdo até o topo da segunda tela, você tem 5,9 polegadas. E, assim, é necessário esticar o dedo até lá em cima para chegar à segunda tela, o que acaba fazendo ser um pouco difícil e inconveniente tentar tocar o que aparece lá.

O segundo problema é o modo sempre ligado mesmo quando a outra tela está apagada. Assim como o Moto X, por exemplo, o V10 usa um modo de baixo consumo de energia para sempre mostrar horário e notificações no seu smartphone, mas o V10 não chega a mostrar o que são essas notificações. Você vê um ícone do Twitter e sabe que é algo nesse app, mas não consegue ler sem precisar desbloquear a tela como é possível no Moto Display (e agora nos novos smartphones Nexus).

À esquerda da segunda tela está outro recurso bizarro: uma câmera frontal com duas lentes, que parecem dois olhos que estão te encarando. As lentes de 120 graus e 80 graus se combinam para capturar selfies de ângulo incrivelmente aberto. Eis uma comparação do ângulo de abertura do V10 com o iPhone 6s:

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É impressionante. Não sou exatamente um grande fã de selfies, mas para quem é, isso é excelente.

A LG pensou bastante na segunda tela quando desenvolveu o app da câmera. Nele, as ferramentas de edição preenchem aquele espaço, especialmente quando você está no modo manual – um dos meus recursos preferidos do G4. O app da câmera também aprende seus hábitos de compartilhamento e abre opções de mídias sociais, SMS e email logo depois de você tirar a foto.

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A LG também colocou algumas ferramentas simples de usar para edição de vídeos para cortar pequenos trechos de vídeos longos, mas me parece mais um daqueles recursos que é bom no papel, mas que eu nunca chego a realmente usar.

A grande questão aqui é o preço e a disponibilidade. Sabemos que o V10 é um smartphone premium, até mais do que a série G, e deve competir com o iPhone 6S, então podemos esperar um preço absurdo por aqui, caso ele seja lançado.

O que eu mais gostei no V10 é que ele representa algo diferente em um mar de coisas iguais que se tornou o mercado de smartphones. Pode não ser o diferente que você procura, mas esperamos que a LG siga tentando coisas novas no futuro. Quem sabe alguma coisa pega.

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LG Watch Urbane 2

A LG vem apostando bastante no mercado de smartwatches. Ela foi uma das primeiras a lançar um desses vestíveis, com o G Watch, que logo foi seguido pelo G Watch R e o Watch Urbane. Agora eles mostraram outro smartwatch – e esse traz uma coisa nova ao Android Wear.

O LG Watch Urbane Second Edition – vamos chamá-lo apenas de “novo” – tem suporte a LTE 4G, assim como o Urbane original em uma versão vendida na Coreia do Sul. Porém, diferentemente do primeiro Urbane que usava o software WebOS da LG, o novo Urbane usa o Android Wear, que é provavelmente um sistema operacional para vestíveis que você vai querer usar.

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O relógio Android Wear é equipado com LTE, o que significa que ele tem um chip próprio – e sim, um número próprio de telefone. A LG diz que está trabalhando com operadoras para fazer os números serem o mais simples possível. Ele também tem uma das maiores baterias já colocadas em um smartwatch, com 570 mAh.

Um problema: ele é enorme. Eu falei que o Huawei Watch era grande demais com seus 11,3 mm de espessura. Isso não é nada perto dos 14mm do relógio da LG. Muito do seu tamanho se deve à bateria, assim como a entrada traseira do cartão SIM. O resultado final é um smartwatch gigante.

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A LG pelo jeito gostou da ideia de um acessório estilo G-Shock, que ela já tinha mais ou menos feito com o G Watch R. O corpo do relógio é prateado e quatro pulseiras diferentes estão disponíveis: preto, branco, coral (azul esverdeado) e couro marrom. As primeiras três cores são as mesmas encontradas no LG V10.

Outra pequena mudança é a que faz com que os três botões – os que abrem rapidamente o LG Health, a tela Home e ligam para seu contato preferido – combinem com o relógio independentemente da cor da pulseira que você usar.

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Infelizmente, não consegui testar o recurso de chamada, já que a LG nos mostrou um aparelho com software em desenvolvimento, então ainda precisaremos esperar para saber se é estranho demais falar com o seu pulso. Mas com a bateria de 570 mAh, a LG diz que duração de bateria não será um problema – e dependendo do seu uso, você pode até conseguir dois dias sem precisar carregar.

Isso é bom, mas eu não gosto do fato de o dispositivo ser tão grande. A integração do Android Wear com o LTE é uma boa ideia, mas espero ver isso em um gadget ligeiramente menor.

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