Um homem australiano foi condenado esta semana no Tribunal de Magistrados do país por perseguir sua ex-namorada. Isso se deu em grande parte por meio do uso de um aplicativo que rastreava e controlava seu carro.

O homem tem 38 anos de idade e trabalhava como mecânico do Corpo de Transportes Real Australiano do Exército na época. Ele supostamente se envolveu em uma série de comportamentos desequilibrados que deixaram sua ex-parceira com medo de tecnologia, de acordo com uma matéria da ABC News da Austrália.

“Esses crimes me fizeram sentir insegura. Fiquei com medo da tecnologia que eu adotava e com uma profunda desconfiança das proteções e leis de segurança cibernética atualmente em vigor, pois agora eu sei que elas podem ser exploradas”, disse ao tribunal a vítima, que trabalha com tecnologia digital, segundo a ABC. “Como profissional que trabalha no setor, me abalou saber que o que o agressor fez ao meu carro é possível. Como vítima, isso causou um trauma tão profundo que é difícil descrever adequadamente.”

Durante o relacionamento de seis meses do casal, o homem teria ajudado sua namorada a comprar um Land Rover. De acordo com os relatos, ele obteve o número de identificação do veículo e o usou para configurar uma conta em um aplicativo que lhe permitia ligar e desligar o carro e ajustar as janelas. O serviço também enviava notificações por e-mail que mostravam a localização do carro dela.

A ABC relata que a vítima disse ao tribunal que uma noite ela acordou e viu o homem parado na beira da sua cama. Ela teria dito que ele permaneceu em silêncio pelo que “pareceu uma eternidade”; depois disse em voz baixa: “você tem sorte de ser apenas eu e não um ladrão ou uma pessoa má para te ferir”.

A mulher disse que só descobriu o método de rastreamento perturbador do homem depois que o seu telefone desapareceu do carro. Ela disse ao tribunal que verificou a atividade do aparelho em seu laptop e viu que a conta de e-mail do homem estava aberta em seu telefone. A conta supostamente mostrava as notificações de rastreamento de seu carro e mapas de seu escritório e local de estacionamento.

“Fiquei em choque e temendo pela minha vida quando percebi que ele estava me perseguindo e tinha o controle do meu carro”, disse ela ao tribunal, segundo a ABC. “Eu não tinha telefone para pedir ajuda e não queria que ele soubesse que eu estava ciente da sua perseguição, então peguei emprestado um telefone e liguei para meu pai.”

A polícia revistou a propriedade do homem e encontrou um caderno com uma lista de armas, preços e informações particulares sobre a vítima, incluindo lugares que visitava e datas das aulas que ela planejava frequentar.

O porta-voz da Land Rover, Stuart Schorr, disse ao Gizmodo: “Depois que a empresa foi notificada do problema, o aplicativo foi desativado”. Ele não respondeu a uma pergunta sobre se a Land Rover tomaria alguma ação para proteger os clientes desse tipo de invasão de carros, mas disse que “a proteção da privacidade é uma prioridade para nós e nossos clientes”.