Há um monte de rumores e histórias esquisitas do mundo da música, incluindo uma lenda de que sintetizadores feitos pelo pioneiro da música da eletrônica Don Buchla continham um pouco de LSD. No entanto, como o engenheiro Eliot Curtis recentemente descobriu, alguns desses rumores podem ser verdadeiros.

Curtis, um gerenciador de operações de transmissão na KPIX 5, afiliada da CBS em San Francisco (EUA), se ofereceu para consertar e restaurar um sintetizador modular Buchla Model 100, que era de propriedade da Universidade Estadual da Califórnia.

Engenheiro Eliot Curtis tentou consertar um sintetizador, mas foi alvo de uma bad trip de LSDEliot Curtis só queria consertar o sintetizador, mas teve uma bad trip de LSD de nove horas. Crédito: Kpix 5/CBS

O departamento de música da universidade, que era liderado pelos professores Glenn Glasow e Robert Basart, tinha originalmente comprado o instrumento na década de 60 para ajudar a instituição a manter-se atualizada com as mudanças radicais da indústria musical. No entanto, com o tempo o sintetizador caiu em desuso, quebrou e ficou armazenado num canto de uma sala de aula.

Conforme Curtis desmontava um módulo que parece ter sido adicionado ao Buchla Model 100 após ele ter sido entregue na escola, ele notou um resíduo que parecia de cristal que estava abaixo de um dos botões do instrumento. Ao tentar remover, ele usou um solvente e tentou esfregar com seu dedo.

Após 45 minutos, ele começou a sentir uma sensação de formigamento, que, na verdade, era o início de uma viagem de ácido que duraria 9 horas. Três testes químicos separados identificaram posteriormente a substância como dietilaminada de ácido lisérgico, também conhecido como LSD, que pode ser absorvida por meio da pele e pode sobreviver por décadas.

Dada a idade do sintetizador e as décadas que ele foi comprado pela escola, não se sabe de onde veio o módulo adicionado. Infelizmente, os dois professores que eram responsáveis pelo departamento já faleceram e não há registros indicando quais atualizações foram feitas no Buchla Model 100 nos anos seguintes à primeira instalação na escola.

Será que colocaram a droga no sintetizador na década de 1960, como dizem as lendas sobre aquela época? Provavelmente, não. San Francisco foi o epicentro da cultura das drogas na década de 1960, e os músicos costumavam usar substâncias como o LSD. O dono anterior pode simplesmente ter derramado acidentalmente no módulo adicional ou teve de escondê-lo rapidamente, sem pensar muito nas mãos de quem iria parar o instrumento.

Fica, então, a lição: se for mexer em algum sintetizador e vir algo com formato de cristal, existe a chance de dar um barato de longa duração.