Uma das partes mais interessantes do Android é a possibilidade de customização — seja ela por meio dos apps do Android Market ou pelas ROMs desenhadas pelos magos do XDA Developers e afins. Por algum tempo, as fabricantes lutaram contra os modificadores, adicionando barreiras para impedir o acesso ao root dos aparelhos. Mas o cenário começa a mudar: a HTC anunciou que, devido à demanda de pedidos, os próximos aparelhos da empresa terão o bootloader destravado.

O ato da HTC, além de causar furor nos usuários mais experientes de Android, mostra um provável cenário novo para o sistema. Antes, as fabricantes e operadoras buscavam defender a manutenção de suas skins proprietárias, a única marca registrada que fazia alguma diferença na parte de software. Agora, após entender que há um nicho relativamente grande de pessoas que querem instalar ROMs — e consequentemente atualizar seus aparelhos para a versão mais recente do Android — as empresas devem entender o verdadeiro cenário do sistema operacional.

A mudança não afeta apenas os fãs da HTC, ou os primeiros que poderão instalar com orgulho uma ROM customizada com a permissão da fabricante. Os taiwaneses agora jogam a bomba para os concorrentes. Antes mesmo do anúncio da HTC, a Motorola já havia dito que iria rever seus conceitos em relação ao bootloader. Mas há uma infinidade de outras empresas que terão de tomar uma decisão que pode causar a ira ou o deleite de uma grande massa de usuários.

De certa forma, a HTC também admite que o Android evoluiu e mudou. Quando seus primeiros aparelhos com a modificação Sense surgiram no mercado, ele era o rei do pedaço. O Android ainda precisava de várias mudanças e atualizações de incontáveis detalhes, e a HTC apareceu com uma solução antes do Google. Bem, o tempo passou e o Android foi atualizado diversas vezes, e basicamente não há nada que uma skin faça que o sistema não seja capaz — pior, as modificações das empresas só tendem a deixar o aparelho mais lento, como pudemos ver no review do Motorola Atrix.

Há também uma mudança em relação ao futuro das garantias de aparelhos: se antes rootear o aparelho poderia significar a perda dos meses ou anos de garantia do smartphone, tanto faz aparecer com um CyanogenMod ou com o HTC Sense na hora de arrumar um aparelho com defeito — isso, claro, caso a HTC lance mais celulares no Brasil. Chris Ziegler, do This Is My Next, resume a situação:

A questão é que um post de 50 palavras na página da HTC no Facebook pode ser a fagulha para uma mudança muito maior na forma em que os aparelhos com Android são pensados e vendidos. Para uma empresa que ficou mais de uma década dividida entre operadoras e provedores de plataformas enquanto se transformava silenciosamente em uma gigante da indústria celular, isso é algo impressionante.

Agora, Motorola, Samsung, LG e tantas outras fabricantes, queremos saber a posição de vocês. Será que o movimento da HTC criará um efeito dominó nas empresas? Como as operadoras irão reagir às propostas? Enquanto algumas perguntas não são respondidas, algumas certezas já existem: o nicho de modificadores de Android é maior do que parece — há mais de 8 mil “curtidas” no post fatídico no Facebook. E esse mundo do XDA tem tudo para conquistar o direito de o consumidor modificar da maneira que quiser seu smartphone.