A Huawei diz que seu relacionamento com os EUA é basicamente o mesmo de alguns meses atrás, apesar da promessa do presidente Donald Trump de aliviar as restrições que atualmente impedem as empresas americanas de fazer negócios com a gigante de tecnologia chinesa.

“Até agora não vimos nenhuma mudança tangível”, disse o presidente da Huawei, Liang Hua, em uma coletiva de imprensa em Shenzhen, na China, que deveria ser sobre sustentabilidade ambiental. O executivo da Huawei disse que o tratamento norte-americano à empresa era “injusto”.

A Huawei foi colocada na chamada Lista de Entidades do Departamento de Comércio dos EUA em maio, que proíbe os fornecedores de tecnologia norte-americanos de enviar componentes eletrônicos para a empresa, mas o presidente Donald Trump sinalizou no mês passado que iria flexibilizar as restrições sobre a empresa global de tecnologia que entraram em vigor devido a preocupações com segurança nacional.

“Não estamos dizendo que só porque as coisas foram flexibilizadas um pouco não nos importamos em estar na Lista de Entidades”, disse Liang, de acordo com uma tradução em inglês da Associated Press. “Na verdade, acreditamos que nossa listagem deve ser suspensa completamente”.

O secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, discursou na terça-feira (9) em Washington D.C. para esclarecer a posição do regime Trump: a Huawei continuaria na Lista de Entidades e os EUA simplificariam os esforços para fornecer qualquer isenção solicitada pelas empresas norte-americanas. As declarações de Ross não pareciam muito esclarecedoras.

“Para implementar a diretriz presidencial do G20, há duas semanas, [o Departamento de] Comércio emitirá licenças quando não houver ameaças à segurança nacional dos EUA”, disse Ross. Frustrantemente, ele não definiu o que constitui uma ameaça à segurança nacional dos EUA, deixando muitas pessoas ainda mais confusas.

E como se isso não fosse confuso o suficiente, o conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, disse nesta semana que a remoção de algumas restrições seria apenas temporária.

“Estamos flexibilizando por um período de tempo limitado”, disse Kudlow em um evento organizado pela rede de notícias CNBC, onde o assessor da Casa Branca costumava trabalhar. “Então, isso é importante e, eu acho, oferece um certo alívio para a Huawei”.

A China criou sua própria lista de “Entidades não Confiáveis”, que inclui companhias estrangeiras supostamente perigosas, mas ainda não divulgou informações sobre quais empresas norte-americanas podem ser incluídas.

Uma das maiores questões que permanece é o que acontece com o uso do sistema operacional Android, do Google, na esteira da guerra comercial entre EUA e China. A interpretação inicial da comunidade de tecnologia norte-americana era que o Google teria que parar imediatamente de fornecer suporte técnico à Huawei para a versão oficial de seu sistema operacional Android, mas o governo dos EUA recuou e disse que o Google tinha 90 dias para fazer a transição antes que os laços fossem cortados. Agora ninguém sabe realmente o que vai acontecer, mas, enquanto isso, a Huawei está trabalhando em seu próprio sistema operacional, que afirma ser 60% mais rápido.

A Huawei cancelou recentemente o lançamento do seu mais recente laptop MateBook, citando as restrições comerciais dos EUA. E embora os laptops sejam apenas uma pequena parte do fluxo de receita da Huawei, há sinais de que seus negócios podem ser prejudicados substancialmente nos próximos anos. O fundador e CEO da Huawei, Ren Zhengfei, disse recentemente que as vendas de celulares da Huawei no exterior, por exemplo, podem cair 40% nos próximos dois anos, custando à empresa até US$ 30 bilhões.

Apesar das declarações do presidente Trump, nada iria realmente mudar drasticamente para a Huawei, apesar do que ele disse na cúpula do G20, no Japão, no mês passado, já que o presidente sempre diz o que vem à cabeça sem consultar especialistas ou seus próprios assessores. A Huawei está claramente frustrada com a nuvem de inconsistência que paira sobre a Casa Branca.

Bem-vinda ao clube, Huawei. O povo americano está tão confuso quanto vocês, assim como qualquer um que assistiu ao social media summit da Casa Branca na quinta-feira (11). Como o acadêmico e especialista em tecnologia norte-americano Nicholas Negroponte disse recentemente, “claramente [a proibição da Huawei] não tem a ver com segurança nacional. Não negociamos segurança nacional”. Mas, talvez, sim. A resposta a essa pergunta parece mudar a cada hora de acordo com os caprichos do presidente.

Pelo menos, Trump não ordenou ataques aéreos às instalações da Huawei apenas para eliminá-los no último minuto e mostrar que ele é um grande sujeito, como fez recentemente no Irã. Bem, ele não fez isso ainda. Na era Trump, ninguém sabe o que esperar de uma hora para outra.