Os buracos negros continuam sendo um dos objetos mais misteriosos do universo, levando cientistas do mundo todo a dedicarem seus trabalhos de pesquisa para estudá-los. Um desses estudos recentes resultou na imagem acima. Apesar de parecer um céu estrelado, cada ponto branco representa um buraco negro supermassivo ativo.

Eles puderam ser identificados exatamente pelo fato de estarem em atividade. Afinal, é muito difícil localizar buracos negros quando eles estão apenas parados no centro de uma galáxia, sem fazer nada, já que não emitem nenhuma radiação detectável. No entanto, quando eles começam a consumir algum material, é como abrir o ralo de uma pia com água, e as forças intensas envolvidas nesse processo acabam gerando radiação em diversos comprimentos de onda que, dessa forma, pode ser detectada no espaço.

A imagem concentra um total de 25 mil pontos e representa o mapa mais detalhado já feito de buracos negros a baixas frequências de rádio. Para isso, os pesquisadores utilizaram o radiotelescópio LOw Frequency ARray (LOFAR) na Europa, que conta com cerca de 20 mil rádio antenas distribuídas por 52 locais do continente. Os resultados do estudo foram publicados no Astronomy & Astrophysics.

Crédito: LOFAR/LOL Survey

O LOFAR é o único radiotelescópio capaz de gerar imagens em alta resolução a frequências abaixo de 100 megahertz. Pelo fato de estar baseado na Terra, um dos grandes desafios é a ionosfera, já que ondas de rádio a frequências muito baixas podem ser refletidas de volta ao espaço. Já aquelas que conseguem penetrar a ionosfera ainda podem variar de acordo com as condições atmosféricas.

Uma das soluções desenvolvidas pela equipe para contornar esse problema foi utilizar um supercomputador de modo que os algoritmos corrigissem a interferência ionosférica a cada quatro segundos. O LOFAR coletou dados para o estudo durante 256 horas, ou seja, o supercomputador teve bastante trabalho.

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O estudo faz parte do LOFAR LBA Sky Survey (LoLSS), um projeto que pretende mapear todo o céu do hemisfério Norte. Após anos trabalhando no desenvolvimento do software de correção, os pesquisadores pretendem utilizar o mesmo método com dados do LoLSS para estudar a ionosfera em si. A expectativa é que esse projeto de pesquisa forneça informações sobre objetos que ainda não foram descobertos ou explorados em regiões abaixo de 50 megahertz.

“[Isso] permitirá o estudo de mais de 1 milhão de espectros de rádio de baixa frequência, fornecendo insights únicos sobre modelos físicos para galáxias, núcleos ativos, aglomerados de galáxias e outros campos de pesquisa. Este experimento representa uma tentativa única de explorar o céu de frequência ultrabaixa em alta resolução e profundidade angular”, escreveram os pesquisadores no artigo.

[Science Alert]