Há cerca de 4,1 bilhões de anos, o nosso sistema solar era um enorme cluster de cometas bombardeando cada planeta que orbitava o Sol e batendo uns nos outros. Aquele período de caos é conhecido como Bombardeio Pesado Tardio e astrônomos acreditam que ele foi a chave para a formação da vida em nosso planeta.



Pela primeira vez na história, cientistas usando o Telescópio Espacial Spitzer da NASA encontraram um sistema estelar onde isso está acontecendo agora — ali pertinho.

Ela é chamada Eta Corvi. Localizada a 59 anos-luz de nós, tem 40% mais massa que o Sol, mas é bem mais nova. A estrela tem ao seu redor dois discos de detritos. No disco externo (que orbita a aproximadamente 150 unidades astronômicas do centro do sistema solar), cometas ficam batendo uns nos outros e em corpos rochosos em uma aparentemente interminável dança planetária letal. As colisões quebram esses objetos em pedaços menores, que por sua vez continuam batendo em outros até virarem pó.

Os detectores infravermelhos do Spitzer conseguiram evidências dessa destruição insana pela primeira vez na história, mostrando cometas se estatelando em planetas rochosos e se “quebrando em pedaços.” O telescópio detectou assinaturas de água congelada, material orgânico e rocha, os quais acredita-se sejam as sementes da vida na Terra. Este processo aconteceu em nosso sistema solar quando ele tinha entre 600 e 800 milhões de anos. Eta Corvi tem mais ou menos essa idade também.

Acredita-se que os cometas que bombardearam a Terra trouxeram resquícios de vida, acrescentando água e moléculas orgânicas que se combinaram para formar organismos em nosso planeta rochoso.

De acordo com a NASA, esta ilustração mostra como a tempestade de cometas está se desenrolando na Eta Corvi:

“Um flash vermelho brilhante captura o momento do impacto no planeta. A Eta Corvi amarelo-branca é mostrada à esquerda, com ainda mais cometas em sua direção.”

Durante o último Bombardeio Pesado Tardio, nosso sistema solar sofreu com o mesmo destino, com grandes planetas externos migrando para as suas órbitas atuais e, no processo, lançando cometas de gelo em planetas rochosos na parte interna do sistema solar. A nossa lua ganhou a maioria das suas cicatrizes nesse período.

Agora só precisamos esperar alguns bilhões de anos para ver se lagartos surgem na Terra que porventura venha a aparecer lá. [NASA e NASA]