Nossa visão humana limitada pode restringir nossa compreensão do universo. Nós só conseguimos ver apenas uma fina faixa de comprimentos de ondas de luz, aquelas ondas com picos entre 290 a 700 nanômetros de crista a crista. Isso significa que perdemos quaisquer detalhes em outros comprimentos de onda, como os de rádio e luz micro-ondas, além do infravermelho, ultravioleta e raio-x.

Cientistas liberaram novas imagens da maior lua de Saturno, a Titã, capturada pelo VIMS (Visual and Infrared Mapping Spectrometer) na sonda Cassini que já foi desativada. Elas representam a combinação de muitos dados que foram combinados e suavizados, e mostram uma visão clara do que a lua se parece sob sua densa atmosfera.

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No centro, a imagem em amarelo mostra como a Titan se pareceria aos olhos humanos. Ao redor estão as seis novas representações em infravermelho, renderizadas em cores que os olhos humanos podem ver. Cada cor (vermelho, verde e azul) representa uma relação de brilho de dois diferentes comprimentos de onda infravermelhos. Este método é usado para destacar os materiais que compõem a lua, reduzindo artefatos de imagem ao combinar arquivos brutos.

Crédito: NASA/JPL-Caltech/University of Nantes/University of Arizona

O instrumento VIMS registra os comprimentos de onda infravermelho de luz que não são dispersados pela atmosfera preenchida por partículas da Titã da mesma forma que os comprimentos de onda de luz visível. É como colocar um par de óculos com lentes vermelhas para decodificar uma mensagem secreta. Mas para decifrar essa mensagem requer muitas observações do instrumento que está ligado à Cassini, segundo o comunicado da NASA. E a Titã parecia diferente a cada vez que a Cassini passava por ela, com diferentes níveis de luz solar ou mudanças na atmosfera ao longo do tempo, o que exigiu esforço extra para fazer essas visualizações perfeitas.

As imagens mostram a superfície completa da Titã se escondendo sob sua atmosfera. Nos já sabemos que essa lua é um lugar estranho — ela é 50% maior que a da Terra e tem oceanos de hidrocarbonetos líquidos em sua superfície com rios, lagos e até tempestades de metano.

Alguns até especulam que carbono e nitrogênio na atmosfera da lua podem ser os blocos de construção da biologia estranha da Titã.

Quase um ano após o mergulho final da Cassini em Saturno, seus dados continuam a produzir ótimos estudos. Agora, talvez, seja a hora de nossas sondas científicas visitarem Titã ou outras luas que potencialmente podem conter vida.

[NASA]

Imagem do topo por NASA/JPL-Caltech/University of Nantes/University of Arizona