A crise dos incêndios florestais não se limita à Austrália – ela também está chegando a toda a atmosfera do hemisfério sul.

A Austrália está em chamas há meses com incêndios incontroláveis ​​que vêm matando animais selvagens e destruindo cidades nos estados de Queenslands, Nova Gales do Sul e Victoria. Todo dia parece trazer uma nova história de horror, e a mais recente é a fumaça que agora percorreu todo o Oceano Pacífico.

Imagens de satélite divulgadas pela NASA na semana passada mostram a Austrália escondida sob um manto de fumaça. Mas novas imagens mostram o hemisfério sul envolto em fumaça também. O satélite Himawari-8, no Japão, tem uma visão aérea da Terra a mais de 35 mil quilômetros de distância. Toda essa visão de disco da Terra mostra fumaça saindo da costa leste da Austrália, passando à deriva na Nova Zelândia.

Mas a fumaça não desapareceu por lá. A pluma se estende além da visão de Himawari-8 sobre o Pacífico ocidental. Para ver onde aterrissou, é preciso olhar para um outro satélite inteiro, quase à mesma distância acima da Terra. Você pode ver o GOES-17, que tem a melhor vista do Pacífico central. Mas a fumaça também vai além de sua visão.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica divulgou na segunda-feira imagens do GOES-16 – um satélite que cobre as Américas – mostrando que a fumaça chegou à porta do Chile e a partes da Argentina. Sim, você leu certo. A fumaça atravessou a cobertura de três satélites e mais de 11 mil quilômetros, e poderia chegar à bacia do Atlântico, dependendo dos ventos predominantes. Há previsões de que na madrugada de terça-feira ela chegue ao Rio Grande do Sul.

Os satélites que circulam a Terra, em vez de ficarem distantes no espaço, ofereceram outra visão única dos impactos que a fumaça está causando no solo. A fuligem atuou essencialmente como precipitação, e as imagens do Landsat-8 do NASA Earth Observatory mostram que as geleiras da Nova Zelândia estão agora revestidas por um filme marrom. Isso poderia acelerar o derretimento dessas geleiras, absorvendo mais energia do sol e aquecendo o gelo e a neve.


Antes e depois das imagens de satélite, a fuligem escureceu visivelmente as geleiras da Nova Zelândia perto do Monte Edward. Gif: Observatório da Terra da NASA

O que está acontecendo na Austrália – e agora em um trecho de 11 mil quilômetros do hemisfério sul – é a crise climática em ação. O aumento da temperatura levou a Austrália a um estado instável, mais quente, seco e mais inflamável (e esses incêndios acabarão alimentando a crise para extremos ainda piores).

Fala-se muito em tratar a crise climática como uma guerra. E parece que a destruição na Austrália e as consequências da fumaça estão começando a tornar essa analogia mais adequada.