Se pagar um imposto por trabalhar de casa pode parecer algo absurdo para você, é melhor ir se acostumando, porque alguns economistas defendem essa ideia.

A pandemia de COVID-19 obrigou a maioria das empresas a repensar seus modelos de negócio. Muitas delas passaram a adotar o home office como opção para funcionários, até porque ainda estamos enfrentando um vírus que não tem vacina e, portanto, quanto maior for o distanciamento social, mais seguro é para todos.

Partindo desse novo princípio de como as companhias devem lidar com o trabalho remoto daqui em diante, um novo relatório de pesquisa do Deutsche Bank elaborado por economistas descreve uma série de problemas que estão por vir. E muitos sugerem algumas soluções bastante radiciais.

Por exemplo, o pesquisador Luke Templeman, do Deutsche Bank, propõe que os donos das empresas cobrem um imposto sobre as pessoas que trabalham em casa. Templeman argumenta que esse imposto demorou muito para chegar e que já deveria ter sido implementado, apontando que, “entre 2005 e 2018, a internet gerou um aumento de 173% no número de americanos que trabalhavam regularmente em casa”. Ele ainda declarou que “os trabalhadores remotos têm contribuindo menos para a economia, embora ainda recebam seus benefícios”.

O relatório reconhece que as pessoas que trabalhavam em casa antes da pandemia representavam apenas 5,4% da força de trabalho nos Estados Unidos, mas afirma que esse número cresceu para 56% nos últimos meses. O imposto proposto não entraria em vigor neste momento de restrições de circulação de pessoas.

Em outras palavras, quem trabalha em casa pode não estar abastecendo seu carro, comprando uma xícara de café, levando os filhos para a escola, pegando o almoço ou qualquer outra coisa que possa acontecer no trajeto de ida e volta para o trabalho. Na visão de alguns economistas, o simples fato de sair de casa para trabalhar é o que mantém uma grande parte do restante da força de trabalho empregada.

Templeman acredita que um imposto de US$ 10 (R$ 54 na conversão atual) por semana trabalhada seria razoável para uma pessoa nos EUA que ganha US$ 55.000 por ano. Ele calcula que isso arrecadaria cerca de US$ 48 bilhões por ano para um fundo que seria usado para emitir doações de US$ 1.500 para concidadãos em tempos difíceis como este de pandemia.

Embora seja encorajador ver um economista do Deutsche Bank propondo uma política que é uma redistribuição de riqueza tão direta, por que não tributar as pessoas que estão realmente lucrando com a adoção do home office em vez de penalizar os trabalhadores que, em média, dedicam mais horas trabalhando de casa do que seus empregadores?

Basta olhar para algumas gigantes da tecnologia. Desde o início da pandemia, em março, as ações do Google subiram 26%; a Amazon teve um aumento ainda maior, de 60%. Para se ter uma ideia, este foi o primeiro ano que a varejista pagou imposto de renda federal nos EUA desde 2016.

E o que dizer dos milionários, que ficaram ainda mais ricos? Nesta semana, cinco pessoas viram suas fortunas pessoais passarem a casa dos US$ 100 bilhões pela primeira vez. Elas estão inclusas na lista de pessoas mais ricas do mundo, que detêm um total de US$ 10 trilhões — bem mais do que o PIB (Produto Interno Bruto) de muitos países.

black-friday-gizmodo