A Agência Internacional de Energia (IEA) trouxe uma previsão nada animadora em seu relatório World Energy Outlook. Em resumo, a entidade alerta que a humanidade não está no caminho certo para evitar os impactos do aquecimento global. Longe disso, na verdade.

O relatório aponta que a meta de limitar o aumento da temperatura média do planeta a 1,5º C, por exemplo, segue distante. E isso tem relação com o fato de a indústria dos transportes ser extremamente dependente da utilização de combustíveis fósseis. Veículos de todo o planeta são responsáveis por 37% de todas as emissões de carbono.

A Agência Internacional de Energia analisou dois cenários para o futuro. O primeiro seria se os países cumprissem integralmente os acordos globais firmados para diminuir a emissão de carbono dentro do prazo previamente estabelecido. Já o segundo imagina um plano mais rígido, mas não impossível de ser seguido pelos líderes globais, que consiste na redução total na emissões de carbono até 2050.

De acordo com o relatório, no primeiro cenário as emissões seriam 2,5 gigatoneladas até 2030. Isso aconteceria porque há uma tendência de aumento na compra de automóveis em economias emergentes. Seguindo essa tendência, a previsão é que as emissões de carbono nesses países sejam 24% maiores em 2030 do que em 2020. No segundo cenário, as emissões se manteriam nos mesmos níveis.

Outra razão é a combinação de baixa adesão a eletrificação dos transportes, e uso tímido de alternativas de bioenergia e combustíveis a base de hidrogênio. Com isso, a estimativa é que 89% dos transportes sejam movidos à combustíveis fósseis até 2030. No segundo cenário. haveria uma redução de 75% em veículos que utilizam combustíveis derivados de petróleo.

Para evitar o primeiro cenário (e o colapso do planeta no futuro) a Agência Internacional de Energia propõe um pacote de medidas para diminuir consideravelmente as emissões. Entre elas, estão acelerar o uso de eletricidade como fonte de energia nos transportes rodoviário e ferroviário, investir em infraestrutura que permita a descarbonização de caminhões pesados, aviões e transporte marítimo e estimular eficiência energética — e também mudanças comportamentais na população, a fim de reduzir o consumo de energia.

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Se todas as metas climáticas forem cumpridas dentro do prazo nos termos atuais, teremos uma redução de 40% nas emissões de carbono até 2050. Já é um progresso, é verdade, mas ainda  não é suficiente para deixar as emissões abaixo de 2 ºC. Nessa toada, a temperatura do planeta ficaria 2,1 ºC em 2100 — cenário este que se busca evitar a todo custo.

De acordo com o Painel Intergovernamental de Mudanças climáticas, se a temperatura da Terra aumentar acima da meta, as mudanças seriam devastadoras. Alguns cenários traçados pela entidade projetam que entre 180 e 270 milhões de pessoas sofreriam com escassez de água em 2050, além da possibilidade de aumento na ocorrência de fenômenos extremos como inundações e ondas de calor severas pelo planeta.