A Intel não está se saindo muito bem nesta era pós-PC. Sua presença ainda é tímida em smartphones e tablets; e a empresa depende bastante das vendas de PCs, que estão caindo. Os executivos da empresa reconhecem que a Intel errou – mas ela está tentando recuperar o tempo perdido.

Andy Bryant, presidente do conselho administrativo, disse no Intel Analyst Day:

Há um ano, eu estava pessoalmente envergonhado, pois parecia que tínhamos perdido o jeito. Estávamos nos recusando a aceitar os tablets. Isso nos colocou em desvantagem, e tivemos que correr atrás da concorrência.

Bryant diz que a empresa acabou esquecendo um dos pontos importantes da Lei de Moore, cunhada pelo cofundador da própria Intel. Segundo ela, a densidade de semicondutores vai dobrar a cada 18-24 meses sem aumentar o custo.

Isso significa duas coisas: que dispositivos vão ficar mais baratos, e que vão ficar menores. A Intel se apoiou em PCs baratos, mas relutou em apostar nos dispositivos menores – tablets e smartphones. “Estamos pagando um preço por isso”, diz Bryant.

O CEO Brian Kraznich, por sua vez, confessa:

Nós nos tornamos muito insulares, focados em nosso melhor produto – em vez da direção em que o mercado se move. Vamos seguir para onde o mercado se move.

Isso significa, é claro, apostar mais forte em smartphones e tablets. Em 2014, o objetivo é quadruplicar a presença da empresa em tablets, chegando a mais de 40 milhões de unidades. Isto inclui até modelos abaixo dos US$ 100.

Isso também inclui opções com Windows, Android ou ambos. Além disso, a Intel quer levar tecnologias de PC para o Android, como suporte corporativo e processamento 64-bit.

Quanto a smartphones, Krzanich diz que a Intel se concentrará em grandes fabricantes. Sim, empresas conhecidas já adotam chips Atom – por exemplo, temos o Asus Fonepad e o Motorola Razr i. Mas a presença da Intel em smartphones é ainda mais tímida que em tablets, daí a importância de conquistar parceiros de peso nessa área.

A Intel também aposta em data centers, pois dependemos fortemente da nuvem; e em processadores minúsculos – como a linha Quark – para a “internet das coisas”. Além disso, ela subcontrata suas fábricas para outras empresas produzirem chips, mesmo que usem a arquitetura da concorrente ARM – afinal, ela ainda ganha dinheiro com isso.

Mas, como era de se esperar, a empresa diz que o mercado de PCs, mesmo em queda, “está começando a mostrar sinais de estabilização” graças aos mercados emergentes. No Brasil, as vendas de PC caíram 8% em um ano. Mesmo assim, a Intel não está em maus lençóis: a empresa espera ter lucro total de US$ 13 bilhões este ano. [AllThingsD, VentureBeat, New York Times]