Peter Madsen foi declarado culpado pelo assassinato da jornalista Kim Wall, a bordo de seu submarino caseiro. O inventor excêntrico foi condenado à prisão perpétua por assassinato, desmembramento e vilipêndio a cadáver.

O bizarro caso do maior submarino caseiro e o assassinato de uma jornalista
Cabeça e pernas de jornalista morta em submarino caseiro são encontrados

Kim Wall, uma jornalista freelancer que escrevia uma matéria sobre os projetos coletivamente financiados de Madsen, acompanhou o inventor em uma viagem em seu submarino em agosto do ano passado. No dia seguinte, Madsen foi resgatado depois de o submarino afundar perto do porto de Copenhague, e ele disse às autoridades que havia deixado Wall em uma costa na noite anterior. Duas semanas depois, o corpo desmembrado de Wall foi encontrado por um ciclista que passava pelo local.

Durante toda a investigação e o julgamento, o relato de Madsen sobre o que exatamente aconteceu mudou drasticamente. Ele enfim admitiu ter mutilado o cadáver, pesando-o e o jogando no oceano, mas alegou que sua morte foi um acidente. Nesta quarta-feira (25), um juiz dinamarquês e dois jurados decidiram que as circunstâncias em torno da morte de Wall e a falta de uma explicação plausível de Madsen para sua história justificavam um veredito de culpado.

Durante o julgamento, Madsen alegou que Wall foi morta depois de ser atingida na cabeça por uma pesada escotilha e que ele ia jogá-la. Depois que uma autópsia descobriu que o crânio de Wall não mostrava sinais de trauma brusco, o réu mudou sua história e alegou que ela morreu após uma queda repentina de pressão no submarino.

A decisão de condenar Madsen à prisão perpétua é incomum, considerando os detalhes do caso e o sistema judicial da Dinamarca. A promotoria foi incapaz de determinar a causa da morte devido ao estado de decomposição do corpo de Wall, e sentenças de prisão perpétua são relativamente raras na Dinamarca. De acordo com o site The Local, apenas 15 pessoas foram condenadas a prisão perpétua nos últimos dez anos, e o país não tem pena de morte. A CBS News noticia que uma prisão perpétua na Dinamarca equivale a até 16 anos, mas pode ser renovada.

A promotoria argumentou que Madsen foi motivado por tendências sexuais violentas e que o assassinato foi premeditado. As evidências que sustentavam essas alegações incluíam supostos filmes snuff (vídeos que mostram mortes ou assassinatos reais) encontrados no computador de Madsen e várias ferramentas a bordo do submarino que normalmente não faziam parte da embarcação. As ferramentas incluíam uma serra, tiras de plástico e uma chave de fenda afiada. Em sua decisão, a juíza Anette Burkø apontou que pelo menos algumas das feridas descobertas na região vaginal de Wall foram infligidas enquanto ela ainda estava viva.

Na ausência de prisão perpétua, os promotores deixaram aberta a opção de que Madsen seja confinado a uma instituição psiquiátrica baseado em uma avaliação psicológica na qual os especialistas determinaram que ele é “um mentiroso patológico”, “um perigo para os outros” e propenso a ser um infrator reincidente.

Kim Wall era uma jornalista premiada e que havia publicado reportagens em veículos como New York Times, Guardian e Atlantic. Nascida na Suécia, ela estudou na Universidade Sorbonne, em Paris, e na London School of Economics. Ela trabalhou em matérias que iam desde uma investigação sobre as câmaras de tortura do ditador ugandense Idi Amin até uma celebração cultural de furries. Ela tinha apenas 30 anos quando embarcou no submarino de Madsen.

Além da sentença de prisão perpétua, Madsen foi condenado a pagar ao namorado de Wall cerca de US$ 19.650, e o submarino em que ele trabalhou obsessivamente durante anos será confiscado pelo Estado. Ele supostamente pretende recorrer do veredito.

[CBS News, The Local]

Imagem do topo: AP