Nós ficamos impressionados com a queda de preço do iPhone 4: desbloqueado, o modelo de 16GB custa cerca de R$1.800. Lembra a época em que a Vivo cobrava R$2.400 pelo modelo 3GS de 16GB? De fato, o iPhone 4 está bem mais barato, até mesmo que a concorrência (você mesmo, Galaxy S) – e isso apesar dos altos impostos e margens de lucro altas de operadoras e varejistas e a famosa (e cada vez mais discutível no Brasil) taxa Apple. Até o preço ficou mágico e revolucionário, hein? Comparando com o restante do mundo, infelizmente esse não é o caso.

A Exame fez uma comparação dos preços do iPhone 4 ao redor do mundo, onde ele pode ser vendido sem contrato, e viu que o iPhone mais caro do planeta (onde é vendido sem contrato) é o brasileiro. Mas isso pode ser um pouco o efeito da variação cambial – há gente que defende que o Real está aritficialmente valorizado. Refizemos a tabela da Exame, adicionando mais países (EUA, Portugal, Grécia, Eslováquia e Suíça) mais o cenário hipotético do Brasil com câmbio "normal". Convertemos todas as moedas à cotação de fechamento de 16/09. Eis a nossa tabela, com valores em dólares:

O que descobrimos? O iPhone 4 sem contrato mais barato do mundo é vendido nos EUA, a US$599 (16GB) e US$699 (32GB). Por mais US$50, você compra o mesmo aparelho no Canadá, Hong Kong e Cingapura. Enquanto isso, no Brasil, o modelo de 16GB custa cerca de US$1.050; o modelo de 32GB sai por mais de US$ 1.200. Mesmo comparando com o México (como gostamos de fazer!) o nosso iPhone é bem mais caro.

No cenário hipotético – dólar a R$2,00 – o iPhone 4 de 16GB sairia por 900 dólares. Aí ele não seria o mais caro do mundo: seria o segundo mais caro, atrás apenas da Eslováquia. Resumindo: mais barato, ainda muito caro.

Tudo leva a crer que o alto preço relativo do iPhone 4 é causada primordialmente pelos altos impostos. Pessoas ligadas à Apple no Brasil dizem até que ela pressionou as operadoras para que diminuíssem a margem – além de obrigar a venda pelo mesmo preço do aparelho anterior (o 3GS), política mundial. Independente de você achar um aparelho melhor ou não, o Samsung Galaxy S, vendido na Europa a um preço semelhante ou (normalmente) inferior ao iPhone 4, chegou aqui custando mais (semana passada já sofreu um corte, mas segue mais caro). 

Conversamos com Ricardo Barbara, country manager de iPhone da Apple Brasil. Quando perguntamos se o preço mais "barato" (aspas bem grandes) é consequência da presença pequena da Apple no país – argumento já usado por outras empresas, que dizem que a Apple é mais barata por ser mera importadora -. ele disse: "Não existe isso. O preço é logística, impostos, e margem, claro. Não é o fato de eu ter ou não gente no Brasil que meu produto vai ser mais ou menos barato."

A logística é um fator importante na hora de decidir o preço: segundo a Microsoft, eles conseguiram reduzir bastante o preço do Xbox decidindo quantidade, transporte e data certa (para uma cotação do dólar mais vantajosa) dos consoles. A Apple deve ter trazido um lote grande para o Brasil, para segurar o preço, e pode ter reduzido as margens de lucro aqui no país, para investir em uma expansão – sabemos que as vendas e participação de mercado do iPhone vêm caindo por aqui.

Seja qual for o motivo, a realidade é que o preço do iPhone 4 aponta para um limite do preço de smartphones topo de linha. Em todos os países que é lançado, ele costuma ser o mais caro. E, pelo exemplo atual, concluímos que não há por que custar mais de R$ 2.000 aqui, como foi o caso de smartphones lançados recentemente como o N97 ou o N900, o Xperia X1, HTC Magic, e o próprio iPhone 3GS. Esperamos que isso tenha um impacto positivo na concorrência, e que, com uma redução nos impostos, o preço possa cair ainda mais.

Imagem via MacMagazine

Sobre a tabela:

– ela está disponível no Google Docs através deste link; para usá-la, faça login na sua conta do Google e copie a planilha para você, indo em Arquivo > Fazer uma Cópia (se você quiser usá-la no Google Docs) ou Arquivo > Fazer Download Como… (caso você queira usá-la, por exemplo, no Excel).

– as fontes dos preços são as Apple Stores de cada país e sites de operadoras locais; os sites das operadoras estão na planilha.

– as cotações foram obtidas no site XE.com.

– as diferenças entre nossos valores e os da tabela da Exame não são significativos, exceto os preços na República Tcheca, onde encontramos valores até 10% maiores que os informados pela Exame – mas as conclusões acima seguem inalteradas.

– a tabela dos países está em dólar, e não em real, porque assim comparamos mais facilmente os valores. Se fôssemos usar valores em real, precisaríamos de duas tabelas: uma com a cotação de verdade do real, e outra com a hipotética de R$2,00/US$.