Autoridades da República Islâmica afirmam que um blecaute em uma das principais instalações nucleares do país é resultado de sabotagem liderada por Israel. Um veículo de comunicação israelense também declarou que o novo ataque cibernético pode ter sido obra da agência de inteligência Mossad.

A queda de eletricidade, que ocorreu em uma instalação de enriquecimento de urânio em Natanz no último domingo (11), parece ter sido o resultado de uma explosão interna que prejudicou significativamente a capacidade de funcionamento do local. Essas instalações têm sido visadas com frequência por operativos israelenses, pois desempenham um papel fundamental no programa de armas nucleares do Irã e são consideradas uma ameaça à segurança nacional de Israel. Autoridades iranianas classificaram o incidente como um ato de “terrorismo nuclear” e um “crime contra a humanidade”, com promessa de retaliação.

De acordo com o New York Times, oficiais de inteligência com conhecimento da situação parecem ter confirmado que o ataque foi o resultado de uma operação secreta israelense, e que causou “uma grande explosão que destruiu completamente o independente — e fortemente protegido — sistema interno de energia que abastece as centrífugas subterrâneas que enriquecem o urânio”. As mesmas autoridades disseram ao jornal que pode levar até nove meses para que o local retome sua produção normalmente.

O incidente ocorre em um momento crítico para as negociações internacionais envolvendo o “acordo com o Irã” da era Barack Obama, formalmente denominado Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA). O JCPOA, que o governo Trump retirou em 2017, procurava garantir que as capacidades nucleares do Irã não prosseguissem em troca de uma redução das sanções apoiadas pelos Estados Unidos contra o país. Atualmente, as negociações estão em andamento em Viena, onde funcionários do governo de Joe Biden e membros do governo de Teerã estão discutindo como reviver o acordo.

Embora Israel tenha dito recentemente que estava disposto a trabalhar junto com os EUA e outras nações para avançar com “qualquer novo” acordo com o Irã, as principais autoridades não deram apoio às negociações até pouco tempo atrás. Logo depois da vitória presidencial de Biden, em novembro, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse que “não deve haver retorno ao acordo nuclear anterior”, e que os EUA e seus aliados devem se comprometer com uma “política intransigente para garantir que o Irã não desenvolva armas nucleares”.

A instalação de Natanz é a mesma que teve como alvo um dos mais famosos exemplos de guerra cibernética da história: o ataque “Stuxnet”. Especula-se (e isso porque nada nunca foi oficialmente confirmado) que, em 2010, os EUA e as forças israelenses trabalharam juntos para sabotar temporariamente as instalações nucleares do Irã usando um malware altamente sofisticado que atacou a instalação de Natanz de dentro para fora, desativando cerca de 10% das 9 mil centrífugas do local. A mesma instalação também sofreu um incêndio em julho do ano passado, que teria sido resultado de uma bomba plantada por agentes israelenses.

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A guerra cibernética tem sido apenas um componente de um programa israelense abrangente e contínuo para neutralizar as ambições nucleares do Irã. Esse programa recorre a soluções muito mais sombrias do que a sabotagem industrial — como o que aconteceu em novembro, quando o chefe do programa nuclear do Irã, Mohsen Fakhrizadeh, teria sido morto pela Mossad, supostamente usando uma metralhadora controlada por satélite montada em uma caminhonete Nissan.