À primeira vista, a foto acima pode parecer uma imagem estática de um filme de ficção científica ou uma versão moderna da Casa do Preto e do Branco da facção de assassinos Homens sem Rosto, da série Game of Thrones. Mas não se engane: o rapaz e sua máscara são muito reais. E mesmo que isso possa parecer um tanto assustador, confesso que fiquei bem intrigado nessa tecnologia.

O cara da foto é Shuhei Okawara, dono da loja de máscaras Kamenya Omote, em Tóquio, no Japão. A máscara que ele está segurando, por sua vez, é uma réplica hiper-realista de seu próprio rosto, impressa em 3D em um tamanho de 105% da proporção de seu rosto real, de modo que caberia em quase qualquer pessoa que decidir usá-la. E essa não é a única cara que ele tem.

Yuichi Yamazaki (Getty Images)

Okawara iniciou um projeto chamado “That Face”, que faz máscaras humanas realistas com base em fotografias usando uma mistura de uma “tecnologia especial”, nas palavras do proprietário, e impressão 3D. Usando essa tecnologia, ele imprime fotos de alta precisão em uma base de plástico feita de dados faciais digitalizados em 3D. As máscaras são feitas com detalhes impressionantes e incluem pelos faciais, sobrancelhas, pintas e cílios.

“Os detalhes do processo são segredo comercial”, disse Okawara à Vice em dezembro.

Yuichi Yamazaki (Getty Images)

Você pode estar se perguntando: o que levou o rapaz a vender essas máscaras realistas? Na entrevista, ele disse que gostou de criar e mudar a imagem de como as pessoas pensam que é uma “loja de máscaras”. No entanto, apesar de ser um conceito assustadoramente legal, Okawara, que é professor de máscaras de teatro por formação, diz que elas podem ser difíceis de usar. A estrutura básica das máscaras estreita a visão de uma pessoa e torna mais difícil respirar. Elas também são feitas de plástico e não de silicone, o que significa que você não pode mover os olhos, nariz ou boca.

Fazer as máscaras é uma coisa, mas Okawara também está no negócio de comprar rostos reais para usar em suas máscaras e vender depois. Depois de anunciar que compraria faces para o projeto em outubro do ano passado, mais de 100 pessoas se inscreveram para fornecer autorização de uso de imagem, segundo a Reuters. Para cada candidato, Okawara pagou 40 mil ienes, cerca de R$ 2.148 na conversão atual. A identidade dos indivíduos não foi revelada.

Yuichi Yamazaki (Getty Images)

Quanto ao motivo pelo qual as pessoas querem vender seus rostos, Okawara tem algumas teorias. “Você já fantasiou sobre como seria ter gêmeos? Os humanos ainda não têm a oportunidade de olhar para seus rostos sem que seja em um espelho. É sobre a possibilidade de haver um outro eu em algum lugar, levando uma vida completamente diferente”, explicou.

Produzir as máscaras não é barato – por isso os produtos finais têm preços elevados. A loja explica que isso ocorre porque cada item é feito sob encomenda. Okawara disse à Reuters no mês passado que as primeiras pesquisas sugeriram que a demanda seria alta. As máscaras baseadas em seu próprio rosto já se esgotaram uma vez. E para quem está interessado, as máscaras estão à venda online pelo equivalente a R$ 4 mil. Tem ainda um modelo especial chamado “Número 1”, que é vendido por R$ 5.050. As pré-encomendas recebidas durante a primeira semana de fevereiro começarão a ser enviadas em março.

Yuichi Yamazaki (Getty Images)

Com o tempo, Okawara planeja adicionar novos rostos ao catálogo – é provável que sejam de pessoas que não moram em Tóquio. Curiosamente, a loja inclui uma nota de cautela nas páginas do produto, lembrando os consumidores que se trata de rosto real e que merece certo respeito. O aviso também pede aos clientes que notifiquem o fabricante imediatamente se desejarem dar a máscara a outra pessoa depois de comprá-la e forneçam as informações de contato.

“Este produto foi modelado a partir de uma pessoa real. No entanto, use a máscara com total compreensão da natureza especial deste produto, incluindo o fato de que é uma máscara modelada a partir de uma pessoa real e que a própria máscara tem uma personalidade. Utilize de uma maneira que respeite essa personalidade e não a prejudique”, diz o aviso.

[Vice]