Mais uma vez o Google escolheu a Asus para fabricar seu tablet de maior sucesso, o Nexus 7. Anunciado semana passada, ele é mais rápido, mais leve e tem resolução maior e autonomia maiores que o modelo de 2012. Um feito e tanto de engenharia, mas que quase levou os profissionais da fabricante taiwanesa à loucura.

Em entrevista à PC World, o carismático e empolgado chairman da Asus, Jonney Shih, contou um pouco do trabalho feito em colaboração com o Google para a concepção e fabricação do novo Nexus 7. Pelo tom das palavras, foi um processo desgastante que “quase quebrou” a Asus. Não financeiramente, mas no emocional:

“Acho que desde a primeira geração do Nexus 7 temos tido um relacionamento maravilhoso [com o Google]. Na época, já tínhamos muitos desafios. Desta vez, acho que foi ainda mais difícil. Este ano a tendência dos preços de componentes está em alta, e o cronograma também foi acelerado. Foi um desafio bem mais difícil comparado à primeira geração. Nossos engenheiros de software tiveram que trabalhar muito. Um deles, inclusive, chegou a adiar seu casamento.

(…) O relacionamento tem sido realmente ótimo… As duas partes sabem que se você fizer alguma concessão, então ele [o produto] não será tão bom. É muito complicado, a ponto de quase ter feito as duas empresas desistirem e, então, tentarem novamente, bastante, para superar os problemas. Tem sido, você sabe, uma experiência ‘em busca do incrível’.”

“Em busca do incrível” é o novo slogan da Asus e Shih fez várias inserções dela no papo. Ele também falou do posicionamento de mercado do MeMO Pad HD7, que tem configurações similares à do Nexus 7, embora fique um nível abaixo — tela com menor resolução, SoC MediaTek, preço muito baixo. E falou, ainda, do Windows 8. Sem muito entusiasmo:

“Acredito que concordamos que o cenário não é mais tão promissor do que quando lançamos os primeiros produtos com Windows 8. Um dos desafios é como baixar os preços. Outro, são os apps do Windows 8. O Android já tem cerca de 700 mil apps, e o Windows ainda busca, com afinco, aumentar o número dos seus. Então, esses são os dois maiores desafios para o Windows. Mas acho que a Microsoft compreende isso e tem lutado bastante pelo segundo ponto.

Eles tentam alocar mais investimentos e incentivos, incluindo no preço, [mas] acho que, falando a respeito do Windows 8 como um todo, ele não é tão promissor. Um dos motivos é, talvez, que ainda não seja tão fácil para as pessoas mudarem para novas experiências. Por exemplo, no Windows 8 o app mais procurado, ironicamente, é um que colocar o [botão] Iniciar de volta.”

Shih ainda abordou o Chrome OS e a possível vinda do sensacional PadFone para o ocidente. O aparelho, um combo de smartphone que acoplado a uma tela se transforma em um tablet, já está na terceira geração, mas nem sinal dele por aqui — e por “aqui” entenda toda a América, incluindo Estados Unidos. Se o inglês estiver afiado, clique no link ao lado para ler a entrevista na íntegra. [PC World]